Temporais causam destruição em propriedades rurais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina
Agricultores relatam perdas materiais significativas após fortes vendavais atingirem o interior dos dois estados nesta semana.
Uma sequência de temporais severos atingiu o Sul do Brasil entre a última terça-feira (3) e a quarta-feira (4), deixando um rastro de destruição em propriedades rurais e áreas urbanas. No Rio Grande do Sul, a Defesa Civil contabilizou danos em 116 municípios, com ventos fortes, granizo e enxurradas que afetaram mais de 49 mil pessoas. Em Santa Catarina, o cenário também é de prejuízos, com cidades do Extremo-Oeste registrando quedas de estruturas e interrupção no fornecimento de energia elétrica.
No interior de Tuparendi, noroeste gaúcho, o agricultor Jonas Zoia viu sua residência ser praticamente varrida pelo vento na manhã de quarta-feira. Apenas duas paredes da estrutura permaneceram de pé após a passagem do temporal. Jonas e sua esposa, Anaísa Rambo, não estavam no local no momento do desastre, pois haviam se abrigado na casa de familiares nas proximidades. "Meu esposo olhou pela janela e disse: 'se foi a nossa casa'", relatou Anaísa, descrevendo o momento de desespero ao constatar a perda total do imóvel, que estava em processo de ampliação.
Apesar da gravidade dos danos materiais, que incluem 10 casas destruídas e milhares de outras danificadas em solo gaúcho, não houve registro de vítimas fatais no caso específico do casal. No entanto, o balanço estadual aponta 25 pessoas feridas e um desaparecido, além de centenas de desabrigados e desalojados. A infraestrutura pública também foi duramente atingida, com danos em dezenas de escolas e unidades de saúde, evidenciando a força dos fenômenos climáticos que assolaram a região.
Em Santa Catarina, a situação não foi diferente. Em Iporã do Oeste, uma agricultora emocionou-se ao mostrar os estragos em sua propriedade leiteira, onde um galpão de grande porte, conhecido como compost barn, teve o telhado colapsado. O local, que abrigava animais, já havia sofrido avarias em um temporal anterior no último domingo (1º). "São 20 anos de muito trabalho no chão", desabafou a produtora, destacando que a família estava em processo de reconstrução quando foi surpreendida por uma nova tempestade.
O impacto em Iporã do Oeste foi generalizado, com 98% dos consumidores do município ficando sem energia elétrica e diversos danos em prédios comerciais e residenciais. A Defesa Civil catarinense monitora a situação em pelo menos 19 municípios que reportaram prejuízos decorrentes da instabilidade atmosférica. O órgão também confirmou a ocorrência de um tornado na cidade de Chapecó, reforçando a severidade das condições climáticas que atingiram o estado.
Enquanto as autoridades trabalham na contabilização dos danos e no auxílio às famílias afetadas, os agricultores buscam forças para recomeçar. Jonas Zoia, em entrevista, afirmou que pretende reconstruir sua moradia com o apoio de amigos e parentes. Em Santa Catarina, o sentimento é de preocupação diante da necessidade de reparos urgentes nas estruturas produtivas, que são a base do sustento das famílias rurais atingidas pela sucessão de eventos climáticos extremos.