Trump recua de ameaça contra a Bombardier devido a empregos nos EUA
Presidente americano afirmou que mudou de ideia sobre o fabricante canadense após constatar sua forte presença industrial no Kansas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que abandonou a ameaça de impor restrições e proibir a venda de aeronaves da fabricante canadense Bombardier Inc. em território norte-americano. A declaração foi feita durante um comício de campanha realizado na última segunda-feira em Park City, no estado do Kansas, com o objetivo de impulsionar a candidatura do senador republicano Roger Marshall para as eleições de meio de mandato de novembro.
Durante o evento, Trump explicou que sua mudança de postura ocorreu após conversar com o senador e perceber que a empresa possui uma base operacional e funcionários nos Estados Unidos. Anteriormente, o mandatário havia criticado duramente a companhia do Canadá e sugerido barreiras comerciais, argumentando que a marca lucrava excessivamente com compradores norte-americanos sem produzir localmente.
"Por causa de Roger e de seu telefonema para mim, vou ajudar certa empresa aérea a se endireitar", afirmou Trump no comício. Ele acrescentou que sempre enxergou a companhia como estritamente estrangeira, mas destacou que, diante da constatação de sua forte presença americana e da preservação de postos de trabalho locais, o governo pretende proteger essas pessoas e seus empregos.
O comício ocorreu nas proximidades da cidade de Wichita, que abriga a sede da divisão de defesa e operações norte-americanas da Bombardier, além de contar com cerca de 1.500 trabalhadores locais. No total, a fabricante canadense emprega aproximadamente 3.500 colaboradores em mais de 20 estados americanos e mantém uma vasta cadeia de suprimentos integrada por cerca de 2.800 empresas dos Estados Unidos espalhadas por 47 estados.
A reviravolta na retórica presidencial acontece em meio a um cenário de tensão comercial persistente entre Estados Unidos e Canadá. As negociações bilaterais de alívio tarifário entraram em colapso em agosto, resultando em medidas retaliatórias mútuas, barreiras à importação e um aumento geral na retórica política combativa entre os dois países vizinhos.
Mesmo sob as ameaças anteriores de Trump — que no mês passado chegou a questionar a qualidade dos produtos da empresa e acusou o Canadá de práticas comerciais desleais —, a Bombardier tem reforçado seus investimentos em solo americano. Na semana passada, a companhia anunciou um aporte de 50 milhões de dólares em suas operações em Wichita para a construção de um novo centro de treinamento voltado ao desenvolvimento de técnicos e mecânicos aeronáuticos.
O CEO da Bombardier, Éric Martel, já havia pontuado que a empresa é uma forte contribuizora para a indústria aeroespacial americana, alimentando uma cadeia que sustenta milhares de empregos locais e fornecedores de peso como GE Aerospace e Honeywell. Com o recuo do governo americano anunciado no Kansas, as ações da companhia reagiram positivamente no mercado financeiro após o pronunciamento oficial.
Fontes consultadas
- Trump Hints at Pulling Back Threat of US Bombardier Boycott finance.yahoo.com
- Trump backtracks on threats to Bombardier’s U.S. business during Kansas rally theglobeandmail.com
- Guerre commerciale | Trump revient sur sa menace d’interdire les ventes de Bombardier aux États-Unis lapresse.ca
- Trump revient sur sa menace d’interdire les ventes de Bombardier aux États-Unis ledevoir.com
- Markers for famous actor, WWII bombing tech approved by commissioners yahoo.com