Violência política marca reta final da eleição presidencial no Brasil
Ataques e confrontos em diferentes estados deixam mortos, feridos e parlamentares alvejados nas horas que antecederam o encerramento do segundo turno.
As horas finais da disputa presidencial no Brasil foram marcadas por uma série de episódios graves de violência política e ataques contra apoiadores de esquerda e parlamentares em diversos estados do país. Conflitos armados, agressões físicas e atentados durante carreatas e atos públicos resultaram em mortes e feridos, acendendo o alerta das autoridades para o clima de intolerância.
Na cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, uma carreata política terminou em tragédia na noite de sábado. Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, foi assassinado a tiros após um princípio de confusão nas proximidades de um posto de combustíveis, onde um apoiador de Luiz Inácio Lula da Silva foi agredido por participantes de um ato rival. Outro homem também foi baleado, mas sobreviveu. O autor dos disparos e seu pai fugiram do local e seguem foragidos.
No estado vizinho, em Porto Esperidião, Mato Grosso, um tiroteio resultou na morte de Anderson Pires Bolandin e Sebastião Dusso Braga Neto, ambos de 34 e 35 anos, além de deixar outras duas pessoas feridas. As autoridades investigam se a discussão que deu início ao confronto teve motivação política.
A violência também atingiu o litoral paulista, onde o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, teve a morte encefálica confirmada após ser brutalmente espancado na madrugada de sábado, em Santos. Rocha participava de uma celebração popular em apoio à reeleição de Lula e foi encontrado inconsciente após se afastar brevemente do grupo. O coletivo organizador do evento cobrou apuração rigorosa do caso.
Em Montes Claros, Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel, filiada ao PT, foi alvo de um ataque planejado durante uma carreata. O caminhão de som em que a parlamentar estava foi atingido por garrafas, tijolos e pedras, e um dos projéteis a atingiu no rosto. Socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, a parlamentar afirmou que a violência política representa uma ameaça concreta à sobrevivência das lideranças progressistas.
No Distrito Federal, a violência de gênero também marcou o período eleitoral. Duas líderes de movimentos sociais foram agredidas por um policial militar aposentado durante uma ação de panfletagem pública no Gama, onde materiais de campanha foram destruídos.
Enquanto a tensão se espalhava pelo país, o Supremo Tribunal Federal determinou a prorrogação do horário de votação em todo o país até as 19h. A decisão do ministro Cristiano Zanin ocorreu após pedidos de urgência apresentados por coligações partidárias devido a problemas no transporte público e aos impactos de fortes chuvas em diferentes regiões, visando garantir o direito de voto dos eleitores.
Fontes consultadas
- Horário de votação é prorrogado até as 19h em todo o Brasil otempo.com.br
- Violência da extrema-direita deixa mortos e feridos pelo País cartacapital.com.br