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Brasil

Alunos protestam após descoberta de câmera em banheiro no Paraná

Manifestação ocorreu nesta terça-feira em Cambé após estudantes encontrarem equipamentos de gravação em áreas comuns de banheiros no Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo.

Por 3 min de leitura

Alunos protestam após descoberta de câmera em banheiro no Paraná
Alunos protestam após descoberta de câmera em banheiro no Paraná

Estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado em Cambé, no norte do Paraná, realizaram um protesto na entrada da instituição nesta terça-feira (20). A manifestação ocorreu após a descoberta de câmeras escondidas nos banheiros feminino e masculino, revelada pelos próprios alunos na segunda-feira (19).

O caso veio à tona quando uma aluna notou um aparelho com luz vermelha na parede e percebeu que se tratava de um dispositivo de gravação oculto por trás de um plástico. Segundo relatos dos estudantes e registros em boletim de ocorrência, a direção da escola alegava há cerca de três anos que os aparelhos funcionavam apenas como sensores de fumaça para evitar que os jovens fumassem no local.

A revolta aumentou quando um aluno conseguiu acessar sem autorização a sala de monitoramento dos monitores militares e fotografou as telas do sistema. As imagens mostravam que as lentes captavam áreas comuns, como a região dos espelhos e as pias. As alunas apontaram que o espaço era frequentemente utilizado para trocas de roupa, inclusive para sessões de fotos de formatura e para vestimentas de trabalhos escolares.

Uma das estudantes expressou indignação com a situação perante a imprensa e a comunidade escolar. "Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares", declarou.

Em nota oficial, a direção do colégio confirmou a instalação dos equipamentos, mas negou qualquer invasão de privacidade ou captação de imagens íntimas. A instituição argumentou que as câmeras estavam direcionadas estritamente às portas de entrada para acompanhar os acessos e reforçar a segurança escolar. Além disso, o comunicado classificou como ato de vandalismo a retirada forçada dos aparelhos pelos alunos durante o protesto e criticou o acesso não autorizado ao computador dos monitores.

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), por meio do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, informou que orientou a direção assim que soube do ocorrido. O órgão confirmou que as câmeras foram retiradas, que não há imagens armazenadas e que uma equipe técnica realizará uma vistoria in loco para apurar os fatos e orientar os próximos passos.

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) também se manifestou sobre o episódio e confirmou a instauração de um inquérito policial. Diligências estão em andamento para investigar as circunstâncias da instalação dos dispositivos e a forma como o monitoramento era operado dentro do estabelecimento de ensino.

Fontes consultadas

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