Câncer de intestino: prevenção, exames e sinais de alerta
Especialistas destacam a importância da colonoscopia e de hábitos saudáveis para prevenir e detectar precocemente o câncer colorretal.
O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, figura entre os tumores mais frequentes no Brasil e exige atenção redobrada devido ao seu caráter muitas vezes silencioso nas fases iniciais. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o país deve registrar dezenas de milhares de novos casos anualmente nos próximos anos, reforçando a urgência de medidas preventivas e do diagnóstico precoce para ampliar as chances de cura, que podem ultrapassar 90% quando a doença é identificada no início.
A doença acomete principalmente pessoas com mais de 50 anos, mas dados recentes acenderam um alerta na comunidade médica global e nacional sobre o crescimento de diagnósticos em indivíduos com menos de 50 anos. Especialistas apontam que mudanças comportamentais das novas gerações, como o sedentarismo, a alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados, fast food e bebidas açucaradas, contribuem para o sobrepeso e a obesidade, apontados como fatores de risco cruciais.
O oncologista Fernando Maluf destaca que o tumor está entre os mais preveníveis da medicina. O médico ressalta que a enfermidade costuma surgir a partir de lesões benignas chamadas adenomas, pequenas formações que podem evoluir para um quadro maligno ao longo de vários anos. O controle do peso, a prática de atividades físicas, o abandono do tabagismo e a redução do consumo de carnes processadas e vermelhas são medidas fundamentais de proteção.
Entre os principais sinais de alerta que exigem investigação médica estão a presença de sangue nas fezes, alterações persistentes no ritmo intestinal como diarreia ou prisão de ventre, dores abdominais, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente e anemia. O desconhecimento desses sintomas por parte da população mais jovem, que muitas vezes associa o problema unicamente à velhice, também contribui para a demora na busca por atendimento.
Nesse cenário, a colonoscopia é considerada o exame padrão-ouro no rastreamento e na prevenção. O gastroenterologista Renato Riccio explica que, além de permitir a visualização detalhada do interior do intestino grosso e do reto por meio de um tubo flexível com câmera, o procedimento possibilita a remoção imediata de pólipos antes que eles se transformem em lesões malignas. O preparo adequado, que inclui dieta leve e uso de laxantes, é indispensável para garantir a nitidez das imagens.
As diretrizes médicas recomendam que o rastreamento em pessoas sem sintomas e com risco habitual comece a partir dos 45 anos. No entanto, para indivíduos com histórico familiar da doença, a triagem deve ser antecipada, devendo iniciar aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o parente de primeiro grau recebeu o diagnóstico, considerando o que ocorrer primeiro.
Quando a doença é confirmada, o tratamento varia conforme o estágio e a localização do tumor, podendo envolver cirurgia para a retirada da parte afetada do intestino, quimioterapia e radioterapia. Nos casos em que o diagnóstico ocorre de forma tardia e com metástases em outros órgãos, como pulmões e fígado, as perspectivas terapêuticas tornam-se mais complexas, reforçando que a informação e o acesso aos exames preventivos salvam vidas.
Fontes consultadas
- Morte Lua Blanco: alimentação ruim está ligada ao câncer de intestino | CNN Brasil cnnbrasil.com.br
- Muito frequente, câncer de intestino pode não apresentar sintomas agenciabrasil.ebc.com.br
- Câncer de intestino: entenda o papel da colonoscopia na identificação precoce da doença cartacapital.com.br