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Ciência

Cientistas detectam sinais do 'zeptoverso' em experimento no CERN

Descoberta de desintegração subatômica rara abre caminho para investigar mistérios como a matéria escura.

Por 3 min de leitura

Cientistas detectam sinais do 'zeptoverso' em experimento no CERN
Cientistas detectam sinais do 'zeptoverso' em experimento no CERN

Pesquisadores que operam o Grande Colisor de Hádrons (LHC), localizado no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na fronteira entre a Suíça e a França, anunciaram a detecção de sinais provenientes de uma escala física inédita, apelidada de "zeptoverso". Este domínio da natureza opera em dimensões cem bilhões de vezes menores que um átomo, representando a fronteira mais profunda já explorada pela física de partículas.

O achado, que coroa mais de quatro décadas de buscas, baseia-se na observação de um fenômeno extremamente raro: a desintegração de um mesão B neutro, que contém um quark beleza, em dois múons. Segundo o Modelo Padrão da física, essa transformação ocorre apenas uma vez a cada dez bilhões de casos. A identificação desse processo foi possível graças aos dados coletados pelo experimento LHCb, que analisa os fragmentos resultantes de colisões de alta energia.

O termo "zeptoverso" é utilizado informalmente por físicos para descrever distâncias da ordem de um zeptômetro, ou seja, 10 elevado à potência de menos 21 metros. Embora não seja um local observável diretamente, a exploração desse ambiente microscópico é considerada crucial para compreender como os componentes fundamentais da matéria interagem e se existem partículas ou forças ainda desconhecidas pela ciência atual.

Um dos principais objetivos dessa pesquisa é desvendar os segredos da matéria escura, substância invisível que compõe grande parte do cosmos e cuja existência é inferida apenas por sua influência gravitacional. Teorias sugerem que, nas escalas do zeptoverso, as partículas seriam mais sensíveis à presença dessa matéria, o que poderia alterar a frequência de desintegrações subatômicas e oferecer pistas sobre a sua composição real.

O Dr. Harry Cliff, da Universidade de Cambridge, que liderou a análise dos dados, descreveu o feito como um passo fundamental para abrir as portas desse universo diminuto. "O que queremos fazer agora é entrar, explorar e descobrir quais novas partículas nos aguardam. Para isso, precisamos de mais dados", afirmou o cientista. O resultado alcançou uma significância estatística de 3.2 sigma, um indicador importante, embora ainda abaixo do patamar de cinco sigma exigido para a confirmação definitiva de uma descoberta na física.

Apesar do entusiasmo da comunidade científica, o futuro das pesquisas enfrenta incertezas orçamentárias. O projeto de modernização do detector LHCb, que permitiria aumentar em dez vezes a frequência de observação dessas desintegrações, depende de um investimento internacional de 200 milhões de dólares. No entanto, cortes recentes no financiamento por parte do Reino Unido colocaram em dúvida a participação plena de pesquisadores britânicos nas próximas etapas do experimento.

O professor Tim Gershon, que conduz a colaboração internacional LHCb, alertou que o país corre o risco de ficar de fora de descobertas científicas de grande relevância. Enquanto isso, a comunidade internacional aguarda a revisão por pares dos resultados apresentados no CERN, mantendo a expectativa de que o aprofundamento no zeptoverso possa, eventualmente, redefinir a compreensão humana sobre o funcionamento do universo e a origem da matéria após o Big Bang.

Fontes consultadas

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