CMPC avança com investimento multibilionário no Rio Grande do Sul
Projeto industrial em Barra do Ribeiro prevê a maior expansão internacional da história do Chile, com foco em celulose e papel higiênico.
A cidade de Barra do Ribeiro, localizada no Rio Grande do Sul e com 12,5 mil habitantes, tornou-se o centro do maior investimento da história do estado gaúcho. O empreendimento, encabeçado pela multinacional chilena CMPC, conta com um aporte estimado em US$ 4,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 27 bilhões, voltado para a instalação de uma nova fábrica de celulose e papel.
Batizado de Projeto Natureza, o complexo industrial será construído na Fazenda Barba Negra, em um terreno de 10 mil hectares. A expectativa da companhia é alcançar uma capacidade produtiva de cerca de 2,7 milhões de toneladas de celulose por ano, superando a unidade atual da empresa situada no município de Guaíba, que produz 2,4 milhões de toneladas anuais.
Segundo Ignacio Lira, gerente de assuntos corporativos da CMPC, o empreendimento representa a maior expansão internacional já realizada pelo Chile no mundo. O executivo destacou que a nova fábrica contará com tecnologia de ponta, incluindo o uso intensivo de inteligência artificial e robótica nas operações, além de ficar distante de núcleos residenciais para minimizar o impacto na vizinhança.
O projeto prevê a criação de 12 mil empregos durante a fase de construção e 5 mil vagas diretas na operação. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul apoia a iniciativa desde a assinatura de um protocolo de intenções em abril de 2025, fornecendo suporte institucional para adequações logísticas e articulação técnica.
Como parte da infraestrutura logística, o projeto inclui a construção de um terminal portuário para receber madeira e escoar a produção até o Porto de Rio Grande. A exploração do terminal já possui contrato de adesão assinado com o governo federal, com capacidade prevista para movimentar cerca de 5 milhões de toneladas de celulose por ano.
Apesar da magnitude econômica, o empreendimento enfrenta questionamentos no âmbito regulatório e de licenciamento. O Ministério Público Federal recomendou anteriormente a suspensão dos trâmites até que comunidades indígenas, quilombolas e pescadores fossem consultados sobre os potenciais impactos na cadeia logística e nos recursos hídricos, embora decisões judiciais tenham permitido a continuidade do processo técnico.
A CMPC atua nos segmentos de celulose, embalagens e cuidados pessoais, setor que engloba a fabricação de papel higiênico. Enquanto a demanda por papel de impressão tem se estabilizado nos últimos anos, a empresa registra crescimento na procura por papéis de uso doméstico e embalagens sustentáveis, impulsionada pelas mudanças nos hábitos de consumo e pelo comércio eletrônico.
Fontes consultadas
- Projeto de R$ 27 bilhões: CMPC avança com maior investimento da história do Rio Grande do Sul estadao.com.br
- JCNET: 'A Lista' na ciência e na política sampi.net.br
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