Coalizão de Benjamin Netanyahu perde a maioria no Parlamento de Israel
Bloco liderado pelo primeiro-ministro obteve 53 cadeiras nas eleições parlamentares, ficando abaixo dos 61 assentos necessários para garantir a maioria.
A coalizão governista liderada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, perdeu a maioria no Parlamento israelense após as eleições realizadas na última terça-feira. O bloco do premiê, composto por partidos de direita, de extrema direita e religiosos ultraortodoxos, conquistou 53 cadeiras, ficando aquém das 61 vagas exigidas para assegurar o controle absoluto da casa legislativa.
O resultado coloca o cenário político do país em um impasse. Enquanto a coalizão governista obteve 53 assentos, o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot somou 48 cadeiras. Paralelamente, os partidos árabes obtiveram um desempenho expressivo com 19 vagas no total, divididas entre a Lista Conjunta, com 11 lugares, e o partido Raam, com oito.
Somadas, as legendas da oposição sionista e os partidos árabes reúnem 67 votos, superando com folga a base de apoio de Netanyahu. No entanto, a formação de uma nova frente governista esbarra em barreiras políticas e ideológicas complexas que dificultam acordos amplos.
Diante do resultado adverso nas urnas, a oposição sionista liderada por Eisenkot enfrenta quatro caminhos centrais. A primeira alternativa seria não estabelecer alianças, mantendo 48 cadeiras e deixando Netanyahu no poder como primeiro-ministro interino até a convocação de novos sufrágios.
A segunda opção envolveria costurar um entendimento com o partido árabe Raam e buscar a abstenção da Lista Conjunta, o que viabilizaria a aprovação de um novo governo. Contudo, setores da oposição relutam em incluir legendas árabes na coalizão, preferindo uma composição exclusivamente sionista.
Uma terceira via cogitada seria a aproximação com os partidos ultraortodoxos judaicos Shas e United Torah Judaism. O principal obstáculo nesse cenário é a exigência dessas legendas para que os jovens judeus ultraortodoxos fiquem isentos do serviço militar obrigatório, demanda rejeitada pela oposição.
Por fim, resta a possibilidade de um governo de união nacional em conjunto com o próprio Netanyahu, alternativa que esbarra no objetivo central dos opositores, que é justamente afastar o atual primeiro-ministro do cargo que ocupa.
Com o encerramento da votação e a configuração da nova distribuição de cadeiras, o presidente israelense, Isaac Herzog, iniciará uma série de reuniões com os representantes das legendas partidárias. Cabe a Herzog definir qual dos líderes políticos receberá a incumbência de formar uma nova administração, tarefa que exigirá articulações intensas no prazo de 28 dias.
Fontes consultadas
- Por que a oposição em Israel não se alia aos partidos árabes para derrotar Netanyahu? oglobo.globo.com
- Coalizão de Benjamin Netanyahu perde maioria no Parlamento israelense agenciabrasil.ebc.com.br