Consenso médico descarta restrições sem evidência para endometriose
Novo documento elaborado por especialistas brasileiros estabelece diretrizes baseadas em evidências científicas e desaconselha cortes de glúten e lactose sem diagnóstico específico.
Cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose, e nove em cada dez enfrentam dores pélvicas decorrentes da condição. Para padronizar a conduta médica no país e eliminar práticas sem respaldo científico, a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) e a Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Febrasgo lançaram um consenso inédito.
O documento, que será divulgado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, divide-se em capítulos focados no tratamento farmacológico da dor e em terapias complementares não medicamentosas. O texto foi revisado por dezoito médicos e pesquisadores de universidades de todo o Brasil, que debateram ponto a ponto as recomendações para unificar o atendimento.
De acordo com as novas diretrizes, o tratamento hormonal permanece como a primeira linha de cuidado para a dor associada à enfermidade, utilizando contraceptivos hormonais combinados ou progestagênios isolados. O uso contínuo é preferencial, embora o modelo cíclico seja aceitável, sempre com foco no controle dos sintomas e não na cura.
O consenso destaca que pacientes que descobrem a endometriose de forma incidental em exames de imagem e não apresentam sintomas dolorosos não necessitam de tratamento medicamentoso de rotina, mas exigem acompanhamento clínico regular. Por outro lado, abordagens populares como o implante de gestrinona foram desaconselhadas por falta de evidências científicas sólidas.
No âmbito nutricional, a dieta mediterrânea reúne o melhor respaldo para a redução da dor e a melhora da qualidade de vida, enquanto dietas com baixo teor de FODMAPs auxiliam apenas nos sintomas intestinais. O documento aponta que a restrição de grupos alimentares inteiros, como o glúten e a lactose, não faz sentido clínico a menos que a paciente possua uma intolerância diagnosticada.
Além disso, terapias complementares como a fisioterapia pélvica e a acupuntura ganharam status de recomendação robusta para a diminuição da dor, superando intervenções baseadas em suplementos anti-inflamatórios que ainda carecem de ensaios clínicos conclusivos em seres humanos.
Fontes consultadas
- Miastenia gravis: conheça sintomas, diagnóstico, tratamento e sinais de alerta gov.br
- Endometriose: consenso inédito no Brasil separa tratamento com evidência científica e achismo revistamarieclaire.globo.com
- Doença de Crohn: o sinal no intestino que muitos confundem com gases ou má digestão - Revista Ana Maria revistaanamaria.com.br
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