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Política

Corrupção eleva abstenção em eleições presidenciais no Brasil

Especialistas apontam que a desconfiança generalizada em relação aos candidatos afasta o eleitorado das urnas.

Por 2 min de leitura

Corrupção eleva abstenção em eleições presidenciais no Brasil
Corrupção eleva abstenção em eleições presidenciais no Brasil

A corrupção desponta como uma das principais preocupações dos eleitores brasileiros às vésperas do segundo turno presidencial, que envolve Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, analistas avaliam que o maior impacto desse cenário pode não ser a escolha de um candidato em detrimento de outro, mas sim o aumento expressivo no índice de abstenção nas urnas.

No imaginário de grande parte da população, ambos os principais concorrentes carregam algum tipo de associação com desvios. Bolsonaro enfrenta investigações por suspeitas de corrupção, lavagem de desvios e evasão fiscal, enquanto Lula cumpriu pena de 19 meses em regime fechado por acusações que foram posteriormente anuladas pela Justiça.

Para eleitores ferrenhos de qualquer um dos lados, os supostos vínculos com escândalos têm pouca influência para arrefecer o entusiasmo. Contudo, especialistas destacam que a percepção disseminada de ilícitos tende a incentivar o distanciamento político e o sentimento antissistema, podendo beneficiar o candidato que obteve vantagem na primeira etapa do pleito.

O cenário político brasileiro permanece profundamente polarizado. Durante a primeira fase da votação, apoiadores exibiram símbolos partidários e bandeiras nacionais que refletiam a divisão do país. Especialistas apontam que essa polarização faz com que os eleitores filtrem as informações conforme suas próprias crenças, priorizando a derrota do oponente em vez de buscar eventuais verdades sobre os candidatos.

A abstenção tem apresentado trajetórias de alta no país. Mais de 33 milhões de eleitores, o equivalente a 21% do eleitorado, deixaram de comparecer aos locais de votação no primeiro turno, registrando a maior taxa de abstenção para essa etapa desde 1998, segundo dados da justiça eleitoral.

Escândalos recentes envolvendo autoridades do judiciário e figuras políticas voltaram a colocar o tema no centro do debate público, evocando lembranças de investigações históricas de combate à lavagem de dinheiro no país. Para pesquisadores da área de ciência política, o acúmulo de controvérsias gera desencanto com a política tradicional e reduz a motivação dos eleitores indecisos.

Enquanto o voto continua sendo obrigatório por lei para cidadãos entre 18 e 70 anos no Brasil, a insatisfação com as opções disponíveis leva alguns eleitores a justificarem a ausência. Para parcelas da população afetadas pelo descontentamento, a falta de alternativas com fichas totalmente limpas consolida a decisão de se abster do processo eleitoral.

Fontes consultadas

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