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Política

Crise na campanha de Lula gera críticas a Edinho Silva e Janja

Após resultado adverso no primeiro turno, coordenação petista enfrenta cobranças internas e muda estratégia para a reta final.

Por 3 min de leitura

Crise na campanha de Lula gera críticas a Edinho Silva e Janja
Crise na campanha de Lula gera críticas a Edinho Silva e Janja

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um momento de forte instabilidade interna e crise após o término do primeiro turno. O resultado colocou o petista atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contrariando as expectativas da cúpula partidária. Diante do cenário adverso, a equipe buscou recalcular a rota para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, com mudanças na coordenação e na comunicação digital.

Durante uma reunião com aliados nesta quarta-feira (7), o próprio presidente expressou publicamente seu descontentamento com a estrutura atual da campanha. Em discurso parcialmente transmitido pelas redes sociais, Lula afirmou que a atuação ficou aquém de seu potencial e classificou a organização como a menos estruturada de que participa desde 1989.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tornou-se um dos principais alvos de críticas internas. Ele tem sido responsabilizado pela centralização excessiva de decisões, por falhas na distribuição de materiais gráficos aos estados e pela insistência na defesa do legado governamental em um momento de avaliação desfavorável. Apesar de alvo de queixas públicas do próprio presidente e de correligionários, a avaliação nos bastidores é de que Lula não deve retirá-lo do cargo, mas sim dividir suas atribuições.

Para mitigar os problemas de articulação e tentar ampliar a votação, a campanha incorporou novos nomes à coordenação, com foco em petistas nordestinos que venceram disputas em seus estados. O senador Camilo Santana (PT-CE) assumirá a coordenação política, enquanto o senador eleito Rui Costa (PT-BA) fica responsável pela agenda e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, assume a comunicação. A estratégia visa explorar o potencial de votos na região Nordeste, onde o partido busca reverter margens inferiores às registradas em 2022.

Além das críticas direcionadas a Edinho Silva, a atuação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também entrou na mira de aliados. Em reunião com o presidente, a ex-senadora Kátia Abreu criticou o que avaliou como um excesso de protagonismo de Janja e defendeu maior destaque para o vice-presidente Geraldo Alckmin na cúpula da campanha. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, também foi contestado por focar em temas considerados distantes da rotina do eleitor.

Como parte da reformulação estratégica, a campanha alterou sua postura no ambiente digital, terreno onde a oposição mantém vantagem. Inspirado por Rafael Fonteles, o grupo passou a adotar vídeos simples no formato selfie gravados por celulares. Lula reuniu influenciadores e parlamentares recém-eleitos para atuar diretamente em uma sala montada no QG da campanha em Brasília, buscando maior capilaridade e engajamento da militância.

No campo temático, o candidato endureceu o discurso em relação à segurança pública, adotando um tom mais severo e um novo lema para a reta final. A mudança de postura ocorre no momento em que a equipe busca combater a alta abstenção eleitoral e recuperar votos em colégios eleitorais estratégicos, como o estado de São Paulo, para tentar alcançar a virada inédita na disputa presidencial.

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