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Desafios econômicos e sociais marcam o primeiro ano de Sanae Takaichi

Primeira mulher a chefiar o governo japonês enfrenta debates sobre papéis de gênero, pressões fiscais e tensões geopolíticas globais.

Por 3 min de leitura

Desafios econômicos e sociais marcam o primeiro ano de Sanae Takaichi
Desafios econômicos e sociais marcam o primeiro ano de Sanae Takaichi

Completando um ano à frente do governo do Japão, a premiê Sanae Takaichi tem consolidado suas prioridades de gestão em meio a um cenário de forte volatilidade política e econômica. Primeira mulher a ocupar o cargo na história do país, Takaichi obteve vitórias expressivas nas urnas, como o triunfo do Partido Democrata Liberal nas eleições da câmara baixa, mas agora lida com o ceticismo público e com a necessidade de entregar resultados concretos para manter seu capital político.

Apesar de contar com índices de aprovação que oscilam positivamente em pesquisas recentes, a atuação da chefe de governo gerou debates acalorados sobre igualdade de gênero e jornadas de trabalho. Recentemente, Takaichi afirmou em sessão parlamentar que precisa dedicar de três a quatro horas a mais do que seus antecessores em tarefas domésticas e cuidados pessoais, como a aplicação de maquiagem. A declaração foi criticada por opositores e movimentos sociais, que viram na fala a promoção de estereótipos antiquados em um país onde a divisão desigual de tarefas no lar já impõe barreiras severas às mulheres trabalhadoras.

No campo econômico, a administração de Takaichi adota uma postura de expansão fiscal responsável, priorizando investimentos em inteligência artificial, semicondutores e setores industriais estratégicos para estimular o crescimento por meio de aportes públicos e privados. No entanto, o plano de reduzir impostos sobre alimentos e bebidas enfrenta resistência de parte do empresariado devido às incertezas sobre as fontes de compensação no orçamento estatal.

A gestão também tem sido cobrada em decorrência da forte desvalorização do iene e da alta nos rendimentos dos títulos do governo, que encarecem os custos de importação de energia e alimentos. Enquanto exportadores se beneficiam com a moeda fraca, a premiê tem rejeitado críticas diretas sobre a responsabilidade de seu governo na volatilidade financeira, reforçando que o controle da política monetária cabe ao Banco do Japão e que o objetivo principal é fortalecer a economia para restabelecer a confiança no mercado.

Outro ponto crítico no horizonte japonês envolve o risco de escassez de terras raras essenciais para a indústria automotiva e de alta tecnologia. Analistas apontam que os estoques de ítrio podem se esgotar em poucos meses caso Pequenas e médias restrições de exportação impostas pela China não sejam flexibilizadas. Tóquio tem buscado apoio de aliados internacionais, como os Estados Unidos, para negociar com o governo chinês e mitigar possíveis impactos em cadeias globais de suprimento.

As tensões diplomáticas com Pequim aumentaram após declarações de Takaichi sobre uma eventual crise em torno de Taiwan ser considerada uma ameaça existencial ao Japão. Apesar das pressões externas e dos desafios internos para equilibrar o orçamento público diante de despesas crescentes, a administração aposta no fortalecimento da cooperação com parceiros regionais e na aliança estratégica com Washington para assegurar a estabilidade nacional.

Ao iniciar o próximo ciclo de seu mandato, a premiê japonesa precisará demonstrar habilidade para conciliar a disciplina fiscal com o fomento à atividade econômica, responder às demandas sociais por equidade e navegar com cautela pelas complexas relações geopolíticas na Ásia.

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