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Política

Governo de Sanae Takaichi completa um ano sob debates e desafios políticos

Primeira-ministra do Japão enfrenta questionamentos internos e repercussão sobre papéis de gênero ao iniciar seu segundo ano no poder.

Por 3 min de leitura

Governo de Sanae Takaichi completa um ano sob debates e desafios políticos
Governo de Sanae Takaichi completa um ano sob debates e desafios políticos

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, completou seu primeiro ano no cargo nesta quarta-feira enfrentando debates acalorados sobre papéis de gênero e crescentes pressões políticas internas. Desde que assumiu o comando como a primeira mulher a liderar o país na história, Takaichi tem priorizado pautas econômicas e de segurança, mas suas recentes declarações públicas sobre a carga de trabalho adicional exigida das mulheres geraram forte polêmica em solo japonês.

Durante uma sessão parlamentar, a chefe de governo afirmou que gasta de três a quatro horas a mais por dia em comparação aos seus antecessores masculinos devido a obrigações cotidianas, como tarefas domésticas e aplicação de maquiagem. A fala rapidamente gerou reações negativas de críticos e defensores da igualdade de gênero, que apontaram a visão como antiquada e argumentaram que muitas trabalhadoras japonesas enfrentam rotinas ainda mais exaustivas sem utilizar o tempo de preparo pessoal como justificativa.

Além da controvérsia sobre a gestão do tempo, a administração de Takaichi lida com o desgaste decorrente da renúncia recente do ministro da Agricultura, Kazuo Yana. O ex-integrante do gabinete deixou o posto após escândalos envolvendo denúncias de favorecimento em orçamentos municipais e transporte irregular de apoiadores, o que abalou a imagem do primeiro escalão governamental.

No âmbito econômico, a gestão busca avançar com propostas cruciais para o país, incluindo um projeto de lei para reduzir temporariamente o imposto sobre consumo de alimentos de 8% para 1% a partir de abril, com o objetivo de aliviar o impacto da inflação sobre as famílias. Contudo, a medida levanta dúvidas sobre como o déficit de arrecadação anual resultante será financiado sem comprometer o controle da dívida pública.

Analistas políticos apontam que a popularidade de Takaichi junto ao eleitorado tem sido o principal sustentáculo de sua administração, especialmente após a vitória expressiva do Partido Liberal Democrático (PLD) nas eleições para a Câmara dos Deputados em fevereiro. No entanto, o estilo de governo assertivo e a falta de uma base faccional sólida dentro da própria legenda geram descontentamento entre parlamentares e membros do partido governista.

Pesquisas de opinião recentes refletem esse cenário de instabilidade moderada. Dados divulgados por veículos de imprensa indicam que a taxa de aprovação do gabinete recuou para a faixa de 49%, marcando a primeira vez que o índice fica abaixo de 50% desde o início de seu mandato. Especialistas alertam que a dependência da popularidade pública pode tornar a premiê vulnerável caso o apoio dos eleitores continue a decair nos próximos meses.

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