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Política

Premiê do Japão polemiza ao citar maquiagem e tarefas domésticas

Declaração de Sanae Takaichi gerou debates sobre papéis de gênero e sobrecarga feminina no país asiático.

Por 3 min de leitura

Premiê do Japão polemiza ao citar maquiagem e tarefas domésticas
Premiê do Japão polemiza ao citar maquiagem e tarefas domésticas

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, provocou forte repercussão e críticas ao afirmar, durante uma sessão orçamentária no Parlamento em Tóquio, que gasta de três a quatro horas a mais por dia em comparação aos seus antecessores homens devido a tarefas domésticas e ao uso de maquiagem. A fala da premiê ocorreu na última quarta-feira (14), após ser questionada por parlamentares sobre o tempo dedicado às atividades legislativas e o planejamento governamental.

Segundo a chefe de governo, sua rotina diária inclui tomar banho, preparar o café da manhã, lavar a louça e se maquiar, além de remover a maquiagem ao retornar para casa. Takaichi, que se autointitula viciada em trabalho e relata dormir poucas horas por noite, afirmou que sua equipe de assessores, composta inteiramente por homens, demorou a se habituar com o tempo extra que ela necessita para se arrumar antes de aparecer em transmissões na televisão.

As declarações geraram forte reação nas redes sociais e entre políticos de oposição, que acusaram a premiê de promover uma visão antiquada sobre os papéis de gênero. Críticos argumentam que utilizar a necessidade de maquiagem e afazeres domésticos como justificativa para dificuldades de agenda reforça estereótipos prejudiciais e atrapalha os esforços de mulheres que lutam por maior equidade na sociedade japonesa.

A parlamentar oposicionista Yoshiko Kira classificou a fala como perturbadora, apontando que tratar expectativas sociais sobre a aparência feminina como uma ordem natural imutável enfraquece os direitos das mulheres. Nas redes sociais e em programas de televisão, cartunistas e especialistas também criticaram a premiê por pedir compreensão pública com base em exigências estéticas.

Em contrapartida, defensores de Takaichi saíram em sua defesa. A escritora conservadora Kotoe Hashimoto questionou nas redes sociais se esperavam que a primeira-ministra comparecesse ao Parlamento de cara lavada. Algumas cidadãs ouvidas em Tóquio também expressaram opiniões divididas, considerando a declaração inadequada para os dias atuais por politizar a questão de gênero, enquanto outras viram franqueza na atitude da líder.

O debate ocorre em um contexto onde a divisão desigual do trabalho doméstico é um problema estrutural no Japão. Dados recentes do governo indicam que as mulheres japonesas gastam quase cinco horas por dia em tarefas domésticas, enquanto os homens dedicam cerca de 40 minutos à mesma rotina, em meio a uma cultura de jornadas de trabalho excessivamente longas.

Além da polêmica sobre sua rotina, o governo de Takaichi enfrentou outros desafios recentes, incluindo a renúncia do ministro da Agricultura, Kazuo Yana, envolvido em escândalos políticos. Críticos também têm apontado que a premiê tem se isolado na residência oficial nos finais de semana, o que, somado às suas declarações sobre a rotina pessoal, intensifica o escrutínio sobre sua gestão.

Fontes consultadas

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