Embaixador dos EUA condena ataque de colonos contra jornalista na Cisjordânia
A fotojornalista norte-americana Heidi Levine foi brutalmente agredida por dezenas de homens mascarados enquanto cobria a colheita de azeitonas.
A fotojornalista norte-americana Heidi Levine, que colabora com o jornal The Washington Post, ficou gravemente ferida após ser agredida por homens mascarados identificados como colonos israelenses na aldeia palestina de Abu Falah, na Cisjordânia ocupada. O episódio violento ocorreu na última sexta-feira (16), durante a cobertura da colheita anual de azeitonas, e gerou forte repercussão diplomática internacional, com duras críticas por parte de autoridades dos Estados Unidos.
Segundo relatos da própria profissional e de testemunhas, dezenas de indivíduos mascarados desceram de uma área próxima a um assentamento israelense e avançaram contra agricultores e jornalistas. Levine relatou ter sido derrubada no chão e chutada repetidamente, sofrendo fraturas em quatro vértebras e em uma costela, além de diversos ferimentos pelo corpo. Os agressores também roubaram equipamentos fotográficos, um telefone celular e o passaporte da repórter, que precisou ser hospitalizada em Ramallah e submetida a uma cirurgia.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou o episódio como um ato desprezível de terror e exigiu que as autoridades locais identifiquem e processem os responsáveis. Em publicação nas redes sociais, o diplomata defendeu que os agressores recebam penas de prisão e informou ter solicitado uma investigação completa. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também manifestou profunda preocupação e cobrou medidas mais rígidas de Israel para conter a violência de colonos na região.
O Comitê para a Proteção dos Journalists (CPJ) denunciou que a agressão a Heidi Levine insere-se em um cenário de escalada de violações e restrições contra a imprensa nos territórios palestinos ocupados e em Israel. Organizações humanitárias e veículos de imprensa, incluindo o próprio Washington Post, cobraram apurações rigorosas, apontando que a falta de responsabilização adequada contribui para a reincidência desses episódios de violência contra profissionais da mídia e civis.
A polícia e as Forças de Defesa de Israel informaram que tomaram conhecimento do caso e que investigam as circunstâncias do confronto. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o episódio está sob análise para o esclarecimento dos fatos, enquanto entidades de direitos humanos locais afirmam que a impunidade em casos de agressões praticadas por colonos ainda é um obstáculo recorrente.
Além da violência contra jornalistas, a União Europeia condenou veementemente os recentes ataques perpetrados por colonos contra palestinos e delegações diplomáticas europeias na Cisjordânia. No sábado (17), um grupo de colonos atacou diplomatas da Bélgica, da França e da Polônia durante uma visita de campo na cidade de Taybeh, também relacionada ao período de colheita de azeitonas.
O Serviço Europeu para a Ação Externa exigiu medidas efetivas para garantir a segurança da população local e o respeito ao direito internacional humanitário. A colheita de azeitonas tem sido marcada por episódios recorrentes de intimidação, incêndios de veículos e destruição de plantações, em meio à contínua expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, território ocupado desde 1967 e alvo constante de condenação por parte da comunidade internacional.
Fontes consultadas
- Fotojornalista norte-americana é agredida por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada operamundi.uol.com.br
- Agressão a fotógrafa do Washington Post expõe escalada de violência contra imprensa na Cisjordânia, denuncia CPJ mediatalks.uol.com.br
- UE condena ataques de colonos a diplomatas na Cisjordânia e exige 'responsabilização' terra.com.br
- Colonos israelenses atacam fotojornalista americana na Cisjordânia diariodocentrodomundo.com.br
- Colonos israelenses espancam agricultores palestinos e jornalista na Cisjordânia, diz jornal estadao.com.br