UE condena ataques de colonos israelenses contra diplomatas na Cisjordânia
A União Europeia exigiu responsabilização após investida de colonos mascarados contra comitiva estrangeira e agricultores locais.
A União Europeia expressou forte condenação neste domingo (18) após uma comitiva de diplomatas europeus e agricultores locais ser alvo de ataques perpetrados por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada. O episódio ocorreu no sábado na localidade cristã de Taybeh, situada a leste de Ramallah, quando representantes diplomáticos da França, da Bélgica e da Polônia realizavam uma visita de campo na região.
Segundo relatos de testemunhas e autoridades, o grupo estrangeiro, que contava com a presença do prefeito francês Bernard Baudoux, foi interceptado por colonos mascarados que tentavam impedir agricultores palestinos de realizarem a tradicional colheita anual de azeitonas. Veículos diplomáticos sofreram danos materiais durante a ação violenta, que intensifica as tensões na área.
O Serviço Europeu para a Ação Externa exigiu investigações rigorosas e a plena responsabilização dos envolvidos, além de cobrar medidas eficazes de Israel para coibir a violência sistemática contra civis palestinos, jornalistas e missões estrangeiras. A nota oficial também reiterou o pedido para que o governo israelense encerre a expansão de assentamentos e respeite o direito internacional humanitário.
A onda recente de violência tem coincidido com a temporada de colheita e com um cenário político delicado. Nos últimos dias, além do incidente com os diplomatas, uma fotojornalista do jornal The Washington Post foi gravemente agredida e hospitalizada enquanto cobria as atividades agrícolas em uma vila vizinha. Organizações de direitos humanos registram centenas de incidentes semelhantes nas últimas semanas.
Diplomatas dos Estados Unidos realizaram uma visita oficial à região afetada para prestar solidariedade às comunidades locais e debater a escalada de hostilidades. Autoridades americanas reforçaram publicamente a necessidade de que os responsáveis por agressões contra jornalistas e cidadãos estrangeiros sejam devidamente processados pela Justiça.
Em resposta aos acontecimentos, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, classificou os atos de violência como graves e condenáveis, atribuindo-os a agitadores locais. No entanto, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adotou uma postura mais reservada, argumentando que a comitiva diplomática ingressou em uma zona sensível sem a devida coordenação prévia com as forças militares israelenses.