Especialistas discutem os impactos e limites do jejum na rotina de exercícios
A prática de treinar em jejum divide opiniões e exige atenção às necessidades fisiológicas individuais para garantir a segurança e a eficácia.
A prática do jejum intermitente e sua relação com a atividade física têm sido temas recorrentes de debate entre especialistas em nutrição e saúde. Enquanto muitos buscam no jejum uma estratégia para potencializar a queima de gordura, profissionais alertam que a eficácia dessa abordagem depende de fatores individuais, como a fisiologia de cada pessoa, o nível de intensidade do treino e o balanço energético total ao longo do dia.
Segundo a nutricionista Juliana Andrade, a lógica por trás do treino em jejum possui fundamento científico, uma vez que, após o período de sono, os estoques de glicogênio no fígado e nos músculos estão reduzidos. Sem essa fonte imediata de energia, o organismo é levado a utilizar a gordura como combustível. No entanto, ela ressalta que esse fenômeno não deve ser interpretado como uma regra absoluta para o emagrecimento.
Estudos recentes indicam que, embora a oxidação de gordura possa aumentar durante exercícios de menor intensidade realizados em jejum, não há evidências robustas de que essa prática resulte em uma perda de peso superior a longo prazo. A especialista enfatiza que o emagrecimento continua sendo determinado pelo balanço energético total diário, não existindo um atalho metabólico que substitua a necessidade de uma dieta equilibrada.
A resposta do corpo ao jejum é altamente variável. Enquanto alguns indivíduos se adaptam bem e mantêm o desempenho, outros podem enfrentar tonturas, perda de força e queda no rendimento durante a atividade física. Juliana Andrade reforça que essas reações não indicam falta de disciplina, mas sim diferenças fisiológicas. Por isso, a recomendação é que cada pessoa teste sua própria tolerância e, preferencialmente, busque orientação profissional.
Em contrapartida, há correntes que defendem a importância de não pular o café da manhã. De acordo com orientações de especialistas, sair de casa em jejum pode levar a um consumo exagerado de calorias nas refeições seguintes, como no almoço ou jantar. Além disso, a primeira refeição do dia ajuda a elevar a taxa metabólica devido ao efeito térmico dos alimentos, sendo recomendado o consumo de proteínas, fibras e carboidratos complexos para sustentar a energia necessária.
Para quem busca emagrecer ou melhorar a saúde, a constância na atividade física é considerada mais relevante do que o estado nutricional antes do treino. A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana para adultos. O planejamento da rotina, incluindo a organização das refeições e a escolha de horários adequados, é apontado como um passo fundamental para manter a adesão aos hábitos saudáveis.
Independentemente da estratégia escolhida, a recomendação unânime é evitar cortes drásticos ou exageros. O foco deve ser a manutenção de uma rotina sustentável, que considere as necessidades individuais, o nível de atividade física praticada e o bem-estar geral, sempre com o acompanhamento de especialistas para garantir que as escolhas alimentares sejam adequadas ao estilo de vida de cada indivíduo.