Ex-coordenador diz que Flávio Bolsonaro pediu para 'dar um tempo'
Autoridades apuram o paradeiro do senador após especulações sobre uma possível viagem internacional e descumprimento de ordem judicial.
O ex-coordenador de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho, afirmou nesta terça-feira que o parlamentar enviou uma mensagem de texto pela manhã dizendo que gostaria de 'dar um tempo' e que conversaria depois. A declaração ocorre em meio a intensas especulações sobre o paradeiro do senador, derrotado no segundo turno das eleições presidenciais por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo.
A incerteza sobre a localização de Flávio ganhou força após a imprensa da Argentina noticiar durante a madrugada que o senador teria ingressado no país vizinho por Puerto Iguazú para embarcar em um voo particular com destino aos Estados Unidos. No entanto, o governo argentino, por meio da Direção Nacional de Imigração e da Casa Rosada, negou ter registrado qualquer entrada do parlamentar em seu território.
A Polícia Federal brasileira já havia apontado riscos de fuga em um pedido enviado ao Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, a corporação destacou a manifestação pública do ex-deputado Eduardo Bolsonaro recomendando a saída do irmão do país, o poder econômico e a existência de estruturas no exterior como fatores de risco. Após a derrota, o ministro Alexandre de Moraes determinou a proibição de Flávio deixar o país, o cancelamento de seus passaportes emitidos no Brasil e a entrega de eventuais documentos estrangeiros em até 24 horas.
Segundo informações de veículos de imprensa, o senador ainda não entregou os passaportes às autoridades brasileiras. Aliados e advogados relataram dificuldades para estabelecer contato com ele desde a última comunicação pela manhã.
O avião executivo citado nas notícias veiculadas na Argentina, um modelo Gulfstream G400, permaneceu retido no aeroporto de Puerto Iguazú após a negativa de permissão técnica de decolagem pelas autoridades aeroportuárias locais. De acordo com a polícia de Misiones, a partida foi cancelada porque um dos passageiros programados não compareceu.
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações que tramitam no STF. Entre os inquéritos estão apurações sobre suposta lavagem de dinheiro relacionada a plataformas de apostas e o financiamento de uma produção cinematográfica.