Explosão de produtos proteicos movimenta o Brasil e o mercado global
A busca por bem-estar e hábitos saudáveis impulsiona a expansão de alimentos e bebidas enriquecidos com proteína no país.
O mercado de produtos enriquecidos com proteína tem registrado um crescimento expressivo no Brasil e no mundo, impulsionado pela busca constante por bem-estar, longevidade e hábitos de vida mais saudáveis. Alimentos e bebidas que antes ficavam restritos a academias e lojas especializadas agora ocupam gôndolas de supermercados em categorias variadas, como achocolatados, cafés, pratos congelados e até cervejas sem álcool.
No Brasil, a economia do bem-estar alcançou a marca de US$ 125 bilhões em 2024, colocando o país na liderança isolada da América Latina e Caribe, segundo dados do Global Wellness Institute. Os alimentos com proteína adicionada já movimentam cerca de R$ 2 bilhões por ano no território nacional, com projeção de dobrar de tamanho até 2028, conforme estimativas da Euromonitor.
Grandes companhias da indústria alimentícia e de bebidas têm investido fortemente na reformulação de seus portfólios para atender a esse novo perfil de consumidor. A Nestlé ampliou sua linha com opções como achocolatados e cafés prontos para beber com maior teor proteico, enquanto a Seara expandiu sua oferta de pratos congelados e massas enriquecidas. Já a Ambev apostou no lançamento de uma cerveja sem álcool que oferece 10 gramas de proteína por lata.
Especialistas apontam que a popularização de medicamentos para emagrecimento, conhecidos como canetas emagrecedoras, também deu um novo impulso ao setor. Como esses tratamentos podem reduzir o apetite e causar perda de massa muscular, a procura por itens proteicos cresceu entre pessoas que buscam preservar a saúde e a forma física durante o processo de emagrecimento.
Apesar da popularidade, nutricionistas e especialistas fazem ressalvas sobre o consumo exagerado desses produtos. Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição, lembra que uma alimentação variada e baseada em alimentos in natura já fornece os nutrientes necessários para a maioria das pessoas, tornando o uso de suplementos ou alimentos enriquecidos dispensável em muitos casos.
Especialistas também alertam que a adição de proteína não transforma automaticamente um alimento industrializado ou uma bebida alcoólica em uma opção saudável. É fundamental avaliar o produto como um todo, considerando a presença de açúcares, gorduras, sódio e o grau de processamento, além de buscar orientação profissional para adequar a dieta às necessidades reais de cada indivíduo.
Fontes consultadas
- Whey e creatina "acabam" com os rins? Ciência responde a esse medo comum metropoles.com
- Mercado wellness fatura R$ 650 bilhões e coloca o Brasil na liderança da América Latina diariodepernambuco.com.br
- Proteína É a Estrela do Mercado Fitness, mas Excesso Não Garante Desempenho nem Saúde forbes.com.br
- Do café à cerveja: o que explica a explosão de produtos proteicos no Brasil? epocanegocios.globo.com
- PepsiCo enfrenta pressão com avanço de canetas emagrecedoras e queda nas vendas de snacks veja.abril.com.br