Flávio Bolsonaro descarta Eduardo como chanceler e comenta papel do pai
Em entrevista nesta sexta-feira (16), o candidato à Presidência negou que o irmão vá assumir o Ministério das Relações Exteriores e afirmou não ter tratado sobre cargos com Jair Bolsonaro.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante sabatina na TV Globo realizada nesta sexta-feira (16), que seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, não será nomeado ministro das Relações Exteriores caso ele vença a disputa eleitoral. O parlamentar também comentou sobre uma possível participação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em um eventual governo.
Ao descartar o nome de Eduardo para a pasta da chancelaria, Flávio elogiou a trajetória internacional do irmão e as relações construídas ao longo de mais de dez anos com líderes conservadores estrangeiros. No entanto, separou o histórico de articulação externa do ex-deputado de uma eventual ocupação do cargo de ministro das Relações Exteriores no Brasil.
"Não, ele não vai ser meu chanceler. Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil", declarou o candidato durante a entrevista, classificando a atuação do irmão como um sacrifício em defesa da democracia.
Eduardo Bolsonaro está morando nos Estados Unidos desde o início de 2025. Ele foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. De acordo com a acusação da Procuradoria-Geral da República, o ex-parlamentar tentou pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento da trama golpista que envolvia seu pai, buscando criar instabilidade política.
Com a condenação transitada em julgado em outubro, sem possibilidade de novos recursos, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, além do pagamento de multa e do cancelamento do passaporte de Eduardo. Recentemente, o ex-deputado obteve um green card para residir permanentemente nos Estados Unidos e declarou publicamente que não pretende retornar ao Brasil para cumprir a pena. Diante do cenário, a Polícia Federal avalia solicitar a extradição do ex-parlamentar.
Sobre a situação de Jair Bolsonaro, que atualmente está inelegível e condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista, Flávio afirmou que não houve nenhuma discussão sobre a inclusão do pai em seu governo. O senador ressaltou que Jair Bolsonaro nunca tratou de cargos com ele e que o tema não está em seu radar político.
Apesar de afastar discussões sobre nomeações formais, Flávio Bolsonaro pontuou que se sentiria privilegiado caso precisasse consultar um ex-presidente da República para obter conselhos em uma eventual gestão no Palácio do Planalto.