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Política

Flávio Bolsonaro se manifesta após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos

Senador publicou vídeo e carta contestando o resultado das eleições e gerou divisões na direita e críticas de aliados.

Por 3 min de leitura

Flávio Bolsonaro se manifesta após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro se manifesta após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais e quebrou o silêncio pela primeira vez após deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos com a família, após ser derrotado na disputa presidencial. Na transmissão, o parlamentar afirmou que decidiu conversar com os seguidores para esclarecer os motivos de sua partida para o exterior, relatando que o momento tem sido difícil e mencionando o sentimento de angústia de seus apoiadores com o desfecho do pleito.

Segundo Flávio, a decisão de sair do país foi tomada durante sua última visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O senador relatou que, ao ser abordado por agentes da Polícia Federal para a entrega de passaportes, seu pai questionou se ele já sabia onde queriam chegar com aquilo, ao que respondeu estar preparado para enfrentar a situação. No entanto, o parlamentar alegou perseguição judicial e afirmou que sua permanência no Brasil resultaria em sua prisão e no uso de sua liberdade como moeda de troca para chantagear seu grupo político.

Ainda durante a transmissão e em publicações recentes nas redes sociais, Flávio contestou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a se autoproclamar presidente eleito, embora posteriormente tenha alterado o termo para líder do país. Sem apresentar provas, ele atribuiu sua derrota a irregularidades no processo eleitoral. O resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral apontou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.

A saída do senador do país e a contestação do pleito geraram repercussão negativa e divisões internas no Partido Liberal. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, declarou que o partido compreende a situação difícil vivida pelo parlamentar, mas ressaltou que a legenda não aprova o conteúdo divulgado. Integrantes do PL também demonstraram desconforto, enquanto o levantamento de parlamentares aliados mostrou forte restrição à carta em que o senador se autoproclamava presidente.

O episódio também abriu espaço para novas articulações políticas na direita com foco nas eleições de 2030. Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avaliaram que o desgaste político de Flávio favorece uma reorganização em torno do nome do governador, que admitiu recentemente a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto. Por outro lado, a ala mais fiel à família Bolsonaro resiste à ascensão de novas lideranças, defendendo que a autoridade do grupo permanece ligada ao ex-presidente.

No âmbito governista, a orientação entre aliados do presidente Lula foi evitar manifestações diretas sobre a viagem do senador. Em contrapartida, partidos de esquerda como PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT divulgaram uma nota conjunta repudiando a contestação do resultado eleitoral e alertando contra qualquer tentativa de interferência externa na democracia brasileira, reafirmando que a legalidade do pleito foi atestada por observadores internacionais e pela própria Justiça Eleitoral.

Fontes consultadas

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