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Governo colombiano retira obras de museu e gera protestos

A remoção de peças sobre direitos LGBTQIA+, mulheres e o processo de paz da Colômbia provocou forte reação de artistas e curadores em Bogotá.

Por 3 min de leitura

Governo colombiano retira obras de museu e gera protestos
Governo colombiano retira obras de museu e gera protestos

A retirada de cerca de 30 obras e documentos do Museu Nacional da Colômbia, em Bogotá, provocou intensos protestos e críticas severas por parte da comunidade artística e de dirigentes culturais do país sul-americano. A medida foi executada por determinação do presidente Abelardo de la Espriella e atingiu diretamente peças que abordavam os direitos da comunidade LGBTQIA+, os movimentos feministas, as vítimas de violência política e o histórico acordo de paz firmado em 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc.

Entre os materiais afetados pela decisão estão uma fotografia de Humberto Rincón Perfetti que documenta uma marcha pelos direitos LGBTQIA+, uma bandeira do orgulho pertencente à ativista Elizabeth Castillo e um folheto voltado para os direitos reprodutivos das mulheres. A ação governamental também recolheu itens ligados aos assassinatos do ex-comandante guerrilheiro e candidato à Presidência Carlos Pizarro Leongómez, morto em 1990, e de Bernardo Jaramillo Ossa, líder do partido União Patriótica. Outro objeto retirado foi uma caneta fabricada a partir de uma bala, empregada na assinatura do pacto de paz com as Farc, que continha a inscrição sobre como as balas escreveram o passado e a educação escreverá o futuro.

A ordem governamental gerou repercussão imediata entre representantes de instituições culturais. Dirigentes de seis museus de arte expressaram profunda preocupação por meio de uma declaração conjunta divulgada nas redes sociais, na qual solicitaram que o Ministério da Cultura revertesse a ação. O grupo defendeu que os espaços museológicos devem assegurar o contato com a complexidade histórica, inclusive quando esta envolve acontecimentos que geram desconforto ou questionamentos.

Na mesma linha, Beatriz López, cofundadora e diretora artística da galeria Instituto de Visión, criticou o que classificou como um silenciamento de vozes historicamente marginalizadas, exigindo o retorno imediato dos artefatos para espaços de investigação e debate público. Por outro lado, a ministra da Cultura, Paola Holguín, defendeu a diretriz do governo ao argumentar que a instituição museológica não deve atuar como instrumento de doutrinação política nem propagar visões tendenciosas sobre os fatos históricos.

A controvérsia insere-se no contexto da chamada batalha cultural declarada pelo atual governo, cuja agenda conservadora tem sido comparada por observadores internacionais a iniciativas políticas adotadas nos Estados Unidos em relação a exposições sobre diversidade e direitos civis.

Diante do impasse, o poder judiciário interveio no caso. Em 19 de outubro, a Justiça determinou a preservação dos itens que haviam sido retirados e proibiu a realização de novas remoções no museu que não apresentem justificativa administrativa fundamentada.

Fontes consultadas

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