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Governo da Colômbia retira obras de museu e gera polêmica

Medida ordenada pela administração do presidente Abelardo de la Espriella removeu mais de 30 peças ligadas a movimentos sociais e históricos do Museu Nacional em Bogotá.

Por 2 min de leitura

Governo da Colômbia retira obras de museu e gera polêmica
Governo da Colômbia retira obras de museu e gera polêmica

O governo da Colômbia determinou a remoção de mais de 30 obras e objetos expostos no Museu Nacional, localizado na capital Bogotá. A medida, executada por ordem da administração do presidente Abelardo de la Espriella, atingiu itens relacionados à história dos movimentos LGBTQIAPN+ e feministas, a episódios de violência política e aos processos de paz firmados no país sul-americano.

A decisão provocou forte controvérsia e gerou reações de repúdio entre visitantes e especialistas nas redes sociais. Funcionários relataram que dezenas de itens foram retirados de pelo menos três salas da instituição, deixando paredes vazias e marcas visíveis no espaço cultural, considerado um dos mais importantes do território colombiano.

A ministra da Cultura, Paola Holguín, defendeu a ação publicamente e afirmou que a instituição museológica não pode funcionar como um instrumento de doutrinação política ou propagação de versões enviesadas da história nacional. Segundo a chefe da pasta, o museu deve focar na preservação do patrimônio sem servir de apologia ou revitimização.

A intervenção ocorre em meio ao anúncio de uma contrarrevolução cultural promovida pelo presidente De la Espriella, que assumiu o poder há dois meses. O mandatário declarou recentemente que o Estado tem o dever de impedir que os espaços culturais sejam capturados pelo que classificou como ideologias contrárias aos valores tradicionais e à unidade nacional.

Entre os objetos retirados da exposição estão uma bandeira do orgulho pertencente à ativista Elizabeth Castillo, um exemplar da publicação La Ventana Gay e materiais de divulgação da marcha de 2006. A ação também removeu registros ligados a figuras políticas assassinadas na década de 1990 e itens alusivos ao acordo de paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, como o chamado Balígrafo, caneta fabricada a partir de uma bala.

A forma como a retirada foi conduzida também gerou críticas por ter ocorrido sem consulta prévia aos comitês curatoriais habituais da instituição. Enquanto o governo sustenta que a reformulação busca proteger a neutralidade dos espaços públicos, críticos e acadêmicos apontam a medida como um ato de censura que atenta contra a memória e a diversidade da sociedade colombiana.

Fontes consultadas

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