Governo federal amplia Força Nacional em aldeias indígenas no Mato Grosso do Sul
Ministros visitaram comunidades no Estado após o registro de denúncias de ameaças, racismo e violência contra os povos originários.
Uma comitiva de ministros do governo federal visitou aldeias indígenas no Mato Grosso do Sul neste sábado para verificar denúncias de ameaças, racismo e violência contra comunidades locais. A viagem ocorreu após o registro de dezenas de relatos de intimidação e hostilidades contra os povos originários na região após o segundo turno das eleições presidenciais.
Participaram da visita o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, além da deputada federal Sônia Guajajara. O grupo esteve nas aldeias Sassoró, localizada no município de Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia, na faixa de fronteira com o Paraguai.
Durante a passagem pelo Estado, o ministro Wellington César Lima e Silva anunciou que o efetivo da Força Nacional na região será ampliado e terá sua permanência prorrogada. Segundo o titular da Justiça, a atuação contará com o procedimento operacional chamado "Minuto a Minuto", que mantém equipes em campo prontas para se deslocar rapidamente diante de ocorrências graves ou com indícios de crimes.
As autoridades federais se reuniram em Dourados com representantes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das polícias civil e militar do Estado, além da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul. O objetivo do encontro foi estruturar uma força-tarefa permanente para garantir a proteção e a segurança das comunidades indígenas locais.
As investigações foram impulsionadas por dezenas de relatos encaminhados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) a órgãos federais. Segundo o balanço apresentado pelo ministro Eloy Terena, os canais oficiais receberam um total de 189 denúncias de violência política, intimidação e discriminação em todo o país relacionadas ao pleito, sendo dez casos direcionados a indígenas — dos quais quatro ocorreram em Mato Grosso do Sul.
Entre os episódios apurados, destaca-se a ameaça de envenenamento da água consumida na aldeia Sassoró, em Tacuru, disseminada por meio de áudios em aplicativos de mensagens. De acordo com o governo, dois servidores públicos municipais foram apontados como autores das gravações, ouvidos pela Polícia Federal e posteriormente afastados por meio de um Processo Administrativo Disciplinar instaurado pela prefeitura local após recomendação do Ministério Público Federal.
O Ministério dos Povos Indígenas informou que o caso do envenenamento apresenta ligação preliminar direta com motivação de crime político, enquanto outras ocorrências, como relatos de atropelamentos, continuam sob apuração rigorosa para determinar se possuem caráter político ou se decorrem de conflitos de outra natureza. O Ministério dos Direitos Humanos colocou seu programa de proteção à disposição das vítimas, iniciativa que atualmente já atende mais de 80 indígenas no Estado.
Fontes consultadas
- Ministros vão ao MS verificar denúncias de violência contra indígenas depois da eleição estadao.com.br
- Após ameaças, governo anuncia reforço da Força Nacional em aldeias Guarani Kaiowá diariodocentrodomundo.com.br
- Terceira edição do CNU pode ter até 3 mil vagas correiodoestado.com.br
- Aldeias Guarani Kaiowá vão receber proteção da Força Nacional jornalintegracao.com