Impactos do El Niño ameaçam lavouras no sul de Mato Grosso do Sul
Análise técnica aponta riscos para a produção agrícola e necessidade de cuidados redobrados na pecuária devido às mudanças climáticas.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com análises da Embrapa, está monitorando os impactos do fenômeno El Niño nas atividades do agronegócio, com foco especial na região sul de Mato Grosso do Sul. O período de maior intensidade do fenômeno, que teve início no final de setembro e deve se estender pelos próximos três meses, traz riscos expressivos para lavouras de soja e algodão, especialmente nos municípios de Maracaju e Aral Moreira.
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), por meio do boletim Casa Rural, já identificou projeções de retração nas colheitas. A estimativa para a safra de soja 2026/2027 aponta uma produção de 15,3 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 13,2% em comparação com o ciclo anterior. A produtividade média esperada é de 52,4 sacas por hectare.
Apesar da redução na safra, a área destinada ao cultivo do grão deve registrar crescimento. A previsão é de que 4,87 milhões de hectares sejam ocupados pela plantação, indicando um avanço de 5,5% em relação ao ciclo passado. No entanto, os estudos do Mapa alertam que o atraso no início da estação chuvosa pode comprometer a semeadura na época mais adequada, afetando tanto a produtividade quanto a qualidade final do produto.
Dados divulgados pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) indicam que o plantio da soja alcançou 18% da área monitorada no Estado no início de outubro. Enquanto a região Sul apresenta maior avanço, com 25,3%, o Norte registra menos de 0,4%. Produtores também relatam episódios de excesso de precipitação em curto período durante a semeadura, fator que provoca o selamento superficial do solo e prejudica a emergência das plântulas.
No setor algodoeiro, a Associação Sul-mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) acompanha o cenário climático desde o inverno, período classificado como mais chuvoso. Para a safra 2026/2027 do algodão, cuja semeadura deve iniciar em dezembro, a preocupação recai sobre a possível ocorrência de um veranico em novembro e a interrupção prematura das chuvas a partir de março de 2027.
Para a pecuária, as recomendações técnicas envolvem atenção redobrada ao uso do solo diante do excesso de chuvas, principalmente em áreas centrais e no Pantanal. A Embrapa orienta que os criadores restrinjam o pastejo e o trânsito de máquinas em solos saturados, além de priorizarem a conservação de locais com drenagem natural para assegurar o escoamento adequado das águas e proteger nascentes e margens de rios.
Por outro lado, o levantamento apontou o encerramento quase total da colheita da segunda safra de milho 2025/2026, atingindo 99,96% da área plantada até o início de outubro, segundo o Projeto Siga-MS. A produtividade do cereal alcançou média de 122,79 sacas por hectare, registrando um incremento de 13,3% em comparação ao ciclo precedente e consolidando uma produção de 16,253 milhões de toneladas.