Investigação apura desvio de 12 toneladas de drogas
Ministério Público de São Paulo pede a condenação de influenciador fitness por envolvimento em esquema criminoso.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. A solicitação, apresentada no último dia 21, aponta que o réu e outros participantes integraram um esquema que desviou cerca de 12 toneladas de produtos químicos utilizados na produção de entorpecentes como cocaína e crack.
A apuração conduzida pelas autoridades indica que a operação ilegal envolvia a emissão de notas fiscais fraudulentas e o uso de empresas de fachada como falsas compradoras. Além disso, ocorriam depósitos em dinheiro vivo para dissimular a origem dos recursos financeiros. Transações investigadas movimentaram aproximadamente R$ 2,5 milhões entre os anos de 2014 e 2020.
Renato Cariani figura como um dos sócios da Anidrol, indústria química instalada no município de Diadema, na Grande São Paulo, que comercializa substâncias aplicadas em diversos processos industriais. A investigação da Polícia Federal (PF) apontou que insumos vendidos pela companhia foram desviados para o narcotráfico. O influenciador responde ao processo em liberdade e nega as acusações por meio de sua defesa.
Segundo a Polícia Federal, o esquema contava com o uso de empresas licenciadas para emitir documentos fiscais falsos. Os registros apontavam vendas para companhias que desconheciam as operações, enquanto os produtos eram retirados por terceiros e encaminhados ao tráfico. Intermediários realizavam depósitos em espécie, apresentando-se muitas vezes como funcionários de grandes empresas para conferir aparência de legalidade.
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao MP-SP, atribuem a Cariani um papel central na estrutura do esquema. O conhecimento técnico e a infraestrutura da Anidrol teriam sido empregados para viabilizar a comercialização dos produtos e ocultar as irregularidades nos registros enviados às autoridades policiais.
Entre as substâncias químicas identificadas no curso das investigações constam acetona, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, éter etílico, fenacetina e manitol. Embora esses compostos possuam aplicações industriais legítimas, eles também integram as etapas de preparação, refino e adulteração de drogas ilícitas.
O processo judicial avançou após a decisão da juíza Maria da Conceição Pinto Vendeiro, da 3ª Vara Criminal de Diadema, que recebeu a denúncia e apontou indícios suficientes de autoria e materialidade. Caso seja condenado ao final do processo, Cariani poderá enfrentar uma pena que varia de 16 a 51 anos de prisão. Após a manifestação da Promotoria, as defesas dispõem de prazo para apresentar as alegações finais que antecedem a sentença.
Em nota oficial enviada à imprensa, a defesa do influenciador declarou ter recebido com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público, ressaltando que a Promotoria manteve a tese sustentada desde o início do caso. Os advogados afirmaram que pretendem demonstrar a improcedência das acusações e expressaram confiança no Poder Judiciário para alcançar a absolvição do empresário.
Fontes consultadas
- Caso Renato Cariani: entenda a investigação que apura desvio de 12 toneladas de drogas oglobo.globo.com
- Câmara envia ao Senado o PL 667/2021, sobre acordos de acesso gerenciado para novas tecnologias no SUS atlaspublico.com.br
- Evento do CFM debate os desafios para o acesso a novos tratamentos hemoterápicos portal.cfm.org.br
- Filme sobre Elizabeth Holmes mostra um legado que ainda assombra a biotecnologia exame.com
- Campanha do Ministério da Saúde reforça importância de conversar com a família sobre doação de órgãos gov.br