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Brasil

Mensagens de Cariani com policial indicam tentativa de barrar inquérito

Ministério Público de São Paulo apresentou alegações finais no processo e pediu a condenação do influenciador e de outros corréus.

Por 3 min de leitura

Mensagens de Cariani com policial indicam tentativa de barrar inquérito
Mensagens de Cariani com policial indicam tentativa de barrar inquérito

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou que mensagens extraídas do celular do influenciador Renato Cariani revelam uma relação de proximidade com um policial civil e tentativas de barrar investigações anteriores. Os fatos foram detalhados nas alegações finais de um processo no qual a Promotoria pede a condenação do empresário por associação para o tráfico, tráfico de insumos destinados à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o policial civil André Dziuba teria atuado para conter o avanço de apurações sobre a indústria química Anidrol, sediada em Diadema, na Grande São Paulo. As conversas indicam que Cariani recebia informações privilegiadas sobre diligências, acompanhava de perto o andamento de inquéritos e era orientado sobre os passos das autoridades.

As investigações que motivaram o processo tiveram início em 2019, após uma denúncia da farmacêutica AstraZeneca sobre a emissão de notas fiscais falsas em seu nome referentes a 2017. Segundo a acusação, a empresa de Cariani simulou 59 operações comerciais para justificar a saída de produtos químicos que acabaram desviados para a produção de cocaína e crack.

Entre os diálogos destacados pelo Ministério Público, datados de setembro de 2022, o policial civil relata ter elaborado um relatório para induzir o delegado a não realizar novas diligências, após dificuldades na identificação de veículos utilizados na retirada de mercadorias. Em outras conversas registradas em 2021, o agente orientava o empresário sobre depoimentos e garantia que não havia pressa para a oitiva no inquérito da AstraZeneca.

Os registros também mostram trocas de mensagens celebrando o encerramento do caso em janeiro de 2023. Em um dos trechos, após o policial informar que o procedimento havia sido relatado e arquivado, o influenciador respondeu agradecendo e combinando de "tomar uma". Para a acusação, o teor das conversas demonstra que Cariani tinha pleno conhecimento da destinação ilícita dos insumos e tentava proteger o esquema criminoso.

Além de Cariani, o Ministério Público pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. A acusação aponta Fábio como intermediário no fornecimento de substâncias químicas e Rodrigo como operador de movimentações financeiras para ocultar a origem dos recursos. Por outro lado, o Gaeco solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani, e de Andréia Domingues Ferreira por falta de provas suficientes.

O processo decorre da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. Caso a Justiça acolha integralmente os pedidos do Ministério Público, as penas aplicadas a cada réu podem variar de 16 anos e quatro meses a 51 anos e oito meses de prisão, com limite de cumprimento fixado em 40 anos pela legislação brasileira. Atualmente, o influenciador responde ao processo em liberdade.

A defesa de Renato Cariani, representada pelo advogado Aldo Romani Netto, declarou que o pedido de condenação do Ministério Público já era esperado e que os argumentos da acusação serão contestados na fase de alegações finais defensivas. A defesa manifestou confiança de que a análise isenta das provas pelo Poder Judiciário resultará na absolvição do empresário.

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