Janones descarta assumir ministério e diz que continuará na Câmara
Deputado federal afirmou que prefere atuar no Congresso Nacional para dar sustentação política ao governo e recusou especulações sobre assumir pastas na Esplanada.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) declarou neste domingo (1) que não pretende aceitar um convite para integrar um ministério no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Responsável pela estratégia digital da campanha e pelo canal de mensagens "Exército do Lula", o parlamentar afirmou que o seu foco será permanecer na Câmara dos Deputados para ajudar a garantir força política à gestão federal.
Em entrevista veiculada pela televisão, o político negou as especulações de que estaria cotado para chefiar pastas como a das Comunicações e descartou qualquer migração partidária, confirmando sua permanência no partido Rede. Na rede social X, o parlamentar reforçou sua decisão ao justificar que não deseja ficar preso às amarras e aos compromissos burocráticos associados à liturgia de um cargo ministerial.
Anteriormente, o parlamentar já havia sinalizado que sua atuação traria mais resultados a partir do Congresso. Segundo ele, a extrema direita detém maioria no Legislativo, e sua presença na Câmara serviria para dar um peso estratégico e seguir as orientações do presidente. O deputado esteve reunido com o chefe do Executivo em um encontro que durou cerca de três horas após a reeleição.
Durante a entrevista, o deputado também comentou sobre o canal do WhatsApp "Exército do Lula", criado para coordenar o engajamento digital da esquerda no segundo turno e que acumulou mais de 10 milhões de participantes. Ele estimou que a ferramenta deverá perder aproximadamente 10% de seus seguidores atuais devido à saída de pessoas consideradas infiltradas no grupo.
Para o parlamentar, a dinâmica adotada no canal digital teve um caráter transitório e necessário para vencer o pleito e assegurar governabilidade, embora reconheça que o formato não funcione sob os moldes de uma democracia plena. A estratégia de comunicação utilizada na campanha brasileira gerou repercussão internacional e acabou inspirando iniciativas semelhantes em outros países.
O debate em torno do ecossistema digital também passou por críticas direcionadas às empresas de tecnologia. A campanha da coligação apontou suposta interferência da Meta no processo eleitoral em favor da oposição, alegando restrições no impulsionamento e no alcance das postagens do candidato vitorioso, além de um engajamento proporcionalmente superior na página adversária.
Em resposta aos questionamentos da época, a Meta negou qualquer tipo de interferência deliberada no pleito, atribuindo o ocorrido a problemas técnicos em suas plataformas digitais. O Comitê de Supervisão da empresa também reconheceu a existência de falhas recorrentes no controle de conteúdos de natureza eleitoral durante o período de votação.