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Tecnologia

Juiz nega liberdade a ex-engenheiro da OpenAI acusado de grampo

Magistrado apontou risco de fuga e classificou como problemática a proposta de fiança oferecida pelo consulado da Arábia Saudita.

Por 3 min de leitura

Juiz nega liberdade a ex-engenheiro da OpenAI acusado de grampo
Juiz nega liberdade a ex-engenheiro da OpenAI acusado de grampo

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou nesta segunda-feira (19) que Abdulrahman Alfozan, ex-engenheiro da OpenAI, permaneça preso sem direito a fiança enquanto aguarda o andamento do processo criminal. Ele é acusado de instalar um dispositivo de gravação clandestino em um escritório da empresa localizado em São Francisco, na Califórnia.

A decisão foi tomada pelo magistrado Alex Tse após considerar que há um risco significativo de o acusado não comparecer à Justiça. Durante a audiência, o juiz rejeitou e classificou como problemática a proposta do consulado saudita de assumir integralmente o pagamento de uma eventual fiança, comparando a oferta a um cheque em branco.

Alfozan, de 35 anos, foi preso em 9 de outubro e trabalhava na OpenAI desde 2025. Ele enfrenta acusações de interceptar comunicações orais por meio de dispositivo eletrônico, crime que pode render até cinco anos de prisão em caso de condenação. Embora autoridades governamentais tenham demonstrado preocupação com a segurança nacional, o engenheiro ainda não responde formalmente pelo crime de espionagem.

De acordo com a acusação, a OpenAI descobriu em setembro um equipamento de gravação escondido atrás de uma televisão em uma sala de reuniões executiva. O objeto estava envolto em papel higiênico e conectado a uma porta USB. O local era utilizado rotineiramente para discutir informações confidenciais, pesquisas avançadas, estratégias comerciais e decisões da companhia, além de abrigar reuniões com autoridades governamentais.

Os procuradores federais apontaram nos autos que Alfozan mantinha contatos frequentes com um membro não identificado da família real da Arábia Saudita, que teria tentado recrutá-lo diversas vezes para uma iniciativa de inteligência artificial no país árabe. Em uma das mensagens trocadas pelo aplicativo WhatsApp, a realeza teria escrito que a Arábia Saudita precisava mais dele do que os Estados Unidos, ao que o engenheiro respondeu com o número cem, indicando concordância.

Como indício adicional de risco de fuga, a acusação destacou que o ex-funcionário comprou uma passagem aérea só de ida para Riade, com embarque marcado para 12 de outubro. Além disso, a esposa e o bebê do casal deixaram os Estados Unidos em 10 de outubro com bilhetes custeados por um oficial militar saudita.

Por sua vez, a defesa, representada pelo advogado William Pernik, contestou a tese de fuga e argumentou que seu cliente possuía uma entrevista de naturalização americana agendada para 6 de novembro. O defensor também sustentou que as viagens e planos familiares tinham motivações legítimas de imigração e laços familiares.

O Ministério Público informou que as investigações continuam em andamento e novas acusações poderão ser apresentadas contra o engenheiro. Uma nova audiência referente ao caso foi agendada para o dia 6 de novembro.

Fontes consultadas

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