Suspeito de espionagem na OpenAI manteve contato frequente com realeza saudita
Promessas de recrutamento e mensagens trocadas às vésperas da prisão foram reveladas em documentos judiciais nos Estados Unidos.
O engenheiro saudita Abdulrahman Alfozan, acusado de instalar um dispositivo de gravação em uma sala de conferências da OpenAI em São Francisco, manteve comunicação frequente por meio do aplicativo WhatsApp com um membro da Família Real Saudita ao longo de 2025 e 2026. A revelação consta em um documento judicial apresentado por promotores federais americanos que solicitam a manutenção da prisão preventiva do investigado sem direito a fiança.
De acordo com os procuradores, as conversas seguiram até o dia 5 de outubro, apenas quatro dias antes de Alfozan ser preso pelas autoridades dos Estados Unidos. Embora a identidade da autoridade real não tenha sido divulgada no processo, os registros indicam que o investigado vinha sendo alvo de sondagens para integrar uma nova iniciativa de inteligência artificial na Arábia Saudita.
Os documentos detalham que, em meados de 2026, o contato real teria afirmado ao engenheiro que o país árabe precisava dele mais do que os Estados Unidos, obtendo uma resposta concordante do acusado. Contudo, a acusação ressalta que os autos não apontam, até o momento, ordens diretas da realeza para a instalação dos equipamentos de escuta ou para o furto de segredos industriais da empresa americana de tecnologia.
Alfozan foi detido em 9 de outubro sob a acusação de utilizar dispositivo eletrônico para interceptar comunicações orais, crime que pode render até cinco anos de prisão. A defesa do engenheiro solicitou a liberação com monitoramento por tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar, argumentando que a viagem planejada para a Arábia Saudita tinha motivações familiares e migratórias, e que a nacionalidade não constitui prova de risco de fuga.
A investigação aponta que o equipamento de gravação foi inserido clandestinamente em uma porta USB na parte traseira de um televisor em uma sala de reuniões executivas da OpenAI no final de setembro. O espaço era utilizado rotineiramente para discussões altamente confidenciais sobre pesquisas proprietárias, estratégias comerciais e relacionamentos governamentais da companhia de inteligência artificial.
Após a descoberta do primeiro equipamento, a empresa instalou câmeras de segurança e encontrou outro dispositivo em uma sala de impressora, além de fotos no celular do suspeito que indicavam a vistoria em outros painéis eletrônicos de edifícios da corporação. Após a prisão, a esposa e o filho do engenheiro deixaram os Estados Unidos rumo ao Catar em um voo executivo custeado por um membro dos militares sauditas.
Enquanto o caso tramita na Justiça americana, a defesa tenta assegurar a liberdade provisória mediante fiança e apoio formal do Consulado Geral da Arábia Saudita. O FBI e o Departamento de Justiça continuam avaliando os riscos de fuga e os impactos potenciais do caso para a segurança nacional dos Estados Unidos, visto que o réu possuía amplos recursos e laços estreitos com o exterior.
Fontes consultadas
- French officials explore curfews after weekend of chaos and protests spreading across Europe | CNN edition.cnn.com
- French prime minister calls for ‘local and partial’ curfews after riots theguardian.com
- WhatsApp Is Building a New In-App Browser for Links in iOS Chats macobserver.com
- WhatsApp now lets people without accounts use a link to join a call tech.yahoo.com
- OpenAI bugging suspect WhatsApp'ed Saudi royal days before arrest, feds reveal cnbc.com