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Política

Lula defende soberania e critica ingerência externa em discurso na ONU

Presidente brasileiro afirmou na Assembleia Geral que o país não terceirizará a defesa de suas fronteiras diante de pressões internacionais.

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Lula defende soberania e critica ingerência externa em discurso na ONU
Lula defende soberania e critica ingerência externa em discurso na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, que o Brasil é um país soberano e não aceitará tutelas externas. A declaração ocorre em um momento de tensão diplomática com o governo dos Estados Unidos e nações latino-alinhadas, após a assinatura de um acordo que classifica facções brasileiras como organizações narcoterroristas.

Em sua fala na tribuna da ONU, Lula rechaçou o que classificou como ingerências estrangeiras em decisões soberanas e nos processos eleitorais do país. Sem citar nominalmente o presidente americano Donald Trump, o mandatário brasileiro ressaltou que o Brasil possui um sistema eleitoral robusto e não permitirá que atores internos ou externos atentem contra a vontade popular.

O discurso abordou diretamente a recente movimentação do bloco liderado pelos Estados Unidos, o 'Escudo das Américas', que incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em uma lista de organizações narcoterroristas transnacionais. Auxiliares do governo brasileiro avaliaram a medida como muito grave, enxergando nela uma porta de entrada para uma doutrina de segurança mais militarizada e ações unilaterais na América Latina.

Diante desse cenário, Lula enfatizou que o país não vai terceirizar a responsabilidade de proteger suas fronteiras. "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas", declarou o presidente, reforçando o lema de que o Brasil não cabe no quintal de nenhuma potência estrangeira.

O presidente também destacou os esforços internos no combate ao crime organizado e mencionou a aprovação da Lei Antifacção, que prevê penas superiores às aplicadas ao terrorismo na legislação nacional. Segundo Lula, o governo federal está enfrentando os diferentes escalões da criminalidade e propôs uma atuação conjunta baseada na cooperação para estancar o fluxo ilícito de armas e dinheiro, proposta que ele afirmou ter entregue pessoalmente ao governo norte-americano.

Além da segurança pública, o chefe do Executivo abordou temas como a transição energética, a preservação ambiental e a autonomia sobre minerais críticos e terras raras necessários para o desenvolvimento tecnológico global. Lula argumentou que a exploração desses recursos deve priorizar o benefício do povo brasileiro e rejeitou medidas protecionistas disfarçadas de discursos ecológicos.

Por fim, o presidente brasileiro criticou a fragilidade atual da ONU na resolução de conflitos internacionais e comentou sobre cenários geopolíticos globais, incluindo a situação na Venezuela e no Oriente Médio. No âmbito interno, Lula fez acenos ao eleitorado ao defender o Pix contra tentativas de privatização por multinacionais e ao repudiar o modelo de negócios das empresas de apostas esportivas.

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