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Esportes

Ministério Público pede prisão preventiva de vice-presidente do Corinthians

Promotoria aponta risco de interferência em investigação sobre suposto desvio de materiais esportivos após demissão de testemunha.

Por 3 min de leitura

Ministério Público pede prisão preventiva de vice-presidente do Corinthians
Ministério Público pede prisão preventiva de vice-presidente do Corinthians

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou à Justiça a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians. O pedido, protocolado nesta sexta-feira (16), ocorre no âmbito de um processo que investiga o suposto desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube, caso que ficou conhecido como o "escândalo das camisas".

A manifestação do promotor Cássio Conserino à 25ª Vara Criminal foi motivada pela recente demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians. Munhoes é considerado uma testemunha fundamental para a acusação, pois foi responsável por apresentar provas técnicas que embasaram a auditoria interna que identificou as irregularidades no controle de estoque do clube.

Segundo o Ministério Público, o desligamento de Munhoes, ocorrido às vésperas da audiência de instrução agendada para o dia 10 de novembro, levanta suspeitas de tentativa de intimidação e interferência na produção de provas. O promotor argumenta que a medida pode prejudicar o depoimento do ex-diretor e influenciar outros funcionários que também foram convocados para prestar esclarecimentos à Justiça.

Armando Mendonça tornou-se réu no processo em junho deste ano. Ele responde por acusações de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo. De acordo com a denúncia, o dirigente teria se apropriado de mais de uma centena de itens esportivos, incluindo camisas especiais da NFL e edições comemorativas, além de ter supostamente ameaçado testemunhas durante a apuração do caso.

O promotor Cássio Conserino também destacou em sua petição o comportamento da atual gestão do clube. Segundo o MPSP, o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, teria demonstrado apoio público ao vice-presidente e criticado a atuação do Ministério Público, mesmo ocupando a posição de representante da instituição, que figura como vítima no processo. O órgão abriu uma nova investigação para apurar as circunstâncias da demissão de Munhoes.

Em nota oficial, a defesa de Armando Mendonça classificou o pedido de prisão como "abusivo" e "descabido". Os advogados sustentam que a demissão de Marcelo Munhoes é um ato administrativo comum ao ambiente político do clube, ressaltando que o ex-diretor se habilitou como candidato em uma chapa de oposição para as próximas eleições do Corinthians.

A defesa também negou as irregularidades atribuídas ao vice-presidente, argumentando que os problemas de controle de materiais ocorreram em gestões anteriores e que a atual administração corrigiu as falhas apontadas. Além disso, os advogados acusaram o promotor de parcialidade, alegando que ele mantém um canal direto de comunicação com opositores políticos da atual diretoria e que o pedido de prisão seria uma tentativa de interferir no cenário político do clube.

Por fim, os representantes de Mendonça afirmaram que pretendem acionar os órgãos correcionais do Ministério Público para questionar a conduta de Conserino. A defesa reforçou que mantém plena confiança na Justiça e aguarda o julgamento de um Habeas Corpus que busca o trancamento da ação penal, reiterando que o pedido de prisão preventiva não possui base legal ou probatória sólida.

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