Pular para o conteúdo
Ciência

Morre Thais Russomano, referência em medicina espacial, aos 63 anos

A médica gaúcha, pioneira nos estudos sobre os efeitos da microgravidade no corpo humano, estava internada em Porto Alegre.

Por 2 min de leitura

Morre Thais Russomano, referência em medicina espacial, aos 63 anos
Morre Thais Russomano, referência em medicina espacial, aos 63 anos

A médica e pesquisadora brasileira Thais Russomano, considerada uma das maiores referências internacionais em medicina espacial, morreu aos 63 anos no sábado (17), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A informação foi confirmada pela InnovaSpace, organização internacional fundada pela cientista, e por veículos de imprensa locais. Ela estava internada no Hospital Moinhos de Vento e realizava tratamento contra um câncer.

Natural de Porto Alegre e criada em Pelotas, Thais formou-se em medicina pela Universidade Federal de Pelotas em 1985, aos 16 anos. Desde jovem, demonstrava forte paixão pela astronomia, hábito que cultivava desde a infância ao observar o céu e criar clubes de astronomia infantis. Após atuar em unidades de atendimento de urgência e residências médicas, decidiu seguir sua vocação voltada para a exploração humana do espaço.

Como o Brasil ainda não dispunha de pesquisas consolidadas na área na década de 1990, Thais buscou formação no exterior. Conquistou o mestrado em medicina aeroespacial pela Wright State University, nos Estados Unidos, com passagem por treinamento na Nasa, e obteve o doutorado em fisiologia espacial pelo King’s College London, no Reino Unido. Além disso, atuou como cientista convidada no Centro Aeroespacial Alemão.

Em 1999, a pesquisadora fundou o Centro de Microgravidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o primeiro laboratório do gênero na América Latina voltado para as ciências da vida no espaço. Ela também participou ativamente da criação do Centro de Estudos de Medicina Aeroespacial da Universidade de Lisboa e presidiu a Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial.

Entre as suas principais contribuições científicas destaca-se o método Evetts-Russomano, desenvolvido em parceria com pesquisadores britânicos. A técnica consiste em um procedimento de reanimação cardiopulmonar adaptado à microgravidade, no qual o socorrista utiliza as pernas para se fixar ao paciente durante as compressões torácicas. O protocolo foi recomendado internacionalmente em 2020 para atendimentos de emergência em missões espaciais.

Ao longo da carreira, Thais integrou a Academia Internacional de Astronáutica e participou de experimentos em voos parabólicos para simular a ausência de gravidade. Amigos e colegas também destacam sua dedicação à divulgação científica, realizando palestras frequentes para incentivar crianças e mulheres a ingressarem nas carreiras de ciência e tecnologia.

A despedida da cientista ocorre em cerimônia restrita a pessoas próximas, conforme relatos de conhecidos. A perda representa um marco de luto para a comunidade científica nacional e internacional, que perde uma das pioneiras na consolidação do Brasil nos estudos aeroespaciais.

Fontes consultadas

Leia também