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Saúde

Novas diretrizes de vacina contra hepatite B geram alerta

Estudo aponta que alteração na recomendação da primeira dose pode elevar casos crônicos da doença no país.

Por 3 min de leitura

Novas diretrizes de vacina contra hepatite B geram alerta
Novas diretrizes de vacina contra hepatite B geram alerta

Um novo estudo publicado na revista científica Annals of Internal Medicine alerta que a flexibilização nas diretrizes da vacina contra a hepatite B para recém-nascidos pode provocar um aumento expressivo nos casos crônicos da infecção. A pesquisa utilizou modelos computacionais para simular o impacto de mudanças recentes nas recomendações de imunização infantil ao longo das primeiras décadas de vida dos pacientes.

A discussão sobre o calendário de vacinação ganhou destaque após o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos alterar a orientação anterior. A partir do final de 2025, o órgão deixou de recomendar obrigatoriamente a primeira dose da vacina logo após o nascimento para bebês cujas mães testaram negativo para o vírus, passando a adotar um modelo de decisão compartilhada entre pais e médicos, com a imunização podendo ser adiada para os dois meses de idade.

De acordo com a simulação matemática realizada pelos pesquisadores, caso a adesão à vacina caia para cerca de 26% — cenário estimado para o modelo de decisão compartilhada —, o número de casos crônicos de hepatite B poderia registrar um salto de 225%. Os cientistas ressaltam que infecções adquiridas nos primeiros meses de vida apresentam alta probabilidade de se tornarem crônicas, elevando o risco de complicações graves a longo prazo, como falência hepática e câncer de fígado.

A infecção por hepatite B pode ser transmitida da mãe para o filho durante o parto ou por meio do contato com fluidos corporais contaminados. Especialistas apontam que bebês infectados antes de completarem um ano de vida enfrentam um risco de até 90% de desenvolverem uma infecção persistente, muitas vezes de forma silenciosa, o que torna a vacinação precoce uma ferramenta fundamental de prevenção na saúde pública.

A decisão de alterar as diretrizes gerou forte resistência na comunidade médica internacional. A Academia Americana de Pediatria mantém a recomendação firme da aplicação da vacina ainda no nascimento para todos os recém-nascidos, e diversos estados americanos chegaram a acionar a Justiça contra as modificações implementadas pelo governo federal.

Outro levantamento recente reforça que o adiamento da primeira dose também acarreta impactos econômicos negativos, gerando dezenas de milhões de dólares em custos adicionais para o sistema de saúde no tratamento de novas infecções evitáveis. Para os autores da pesquisa, os dados reforçam a importância de manter protocolos que já comprovaram eficácia ao longo de décadas de aplicação clínica.

Especialistas enfatizam que a prevenção na infância continua sendo a forma mais segura e eficaz de proteger a população contra o desenvolvimento de doenças hepáticas graves na vida adulta. A manutenção de calendários de vacinação claros e consistentes é apontada como prioridade para garantir a segurança sanitária das próximas gerações.

Fontes consultadas

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