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Saúde

OMS publica diretrizes inéditas sobre obesidade infantil e uso de canetas

Novas recomendações globais priorizam mudanças no estilo de vida e restringem o uso de medicamentos em menores de 10 anos.

Por 3 min de leitura

OMS publica diretrizes inéditas sobre obesidade infantil e uso de canetas
OMS publica diretrizes inéditas sobre obesidade infantil e uso de canetas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira (7) suas primeiras diretrizes globais voltadas para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. O material é dividido em dois guias, contemplando o público com menos de 10 anos e a faixa etária dos 10 aos 19 anos, estabelecendo que o foco principal do tratamento deve residir na alteração do estilo de vida antes de qualquer intervenção médica invasiva.

Dados divulgados pela entidade apontam que cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos viviam com obesidade em 2024. A prevalência global da condição quadruplicou desde 1990, saltando de 2% para 8%. No Brasil, estimativas do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que aproximadamente 6,6 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 9,9 milhões de jovens de 10 a 19 anos convivem com a doença.

Para menores de 10 anos, a OMS desaconselha o uso de canetas emagrecedoras, tratadas tecnicamente como medicamentos análogos de GLP-1, além de proibir a adoção de cirurgias bariátricas. A organização sustenta que faltam evidências robustas sobre os benefícios e os impactos colaterais dessas medicações no desenvolvimento físico, crescimento e na saúde mental de crianças tão jovens.

A endocrinologista Maria Edna de Melo, da Abeso e da Sbem, pondera que já existem pesquisas clínicas envolvendo menores de 6 a 11 anos com liraglutida e semaglutida, o que traz algum respaldo científico. Contudo, a médica reforça que a segurança plena e a indicação formal exigem a aprovação regulatória de órgãos competentes, como a Anvisa.

No caso de adolescentes entre 10 e 19 anos, o cenário muda. O uso das canetas injetáveis pode ser avaliado caso o paciente apresente complicações médicas associadas, a exemplo do diabetes tipo 2, e não tenha apresentado melhoras após seis meses de adaptação comportamental. A cirurgia bariátrica para esse grupo mais velho é tratada como último recurso em quadros graves.

Especialistas também alertam sobre os cuidados com o emagrecimento rápido em adultos e jovens, especialmente com o uso dessas medicações. O presidente da Academia Brasileira de Clínica Médica, Patrick Ferreira, e a médica Gabriela Rossmam destacam que o objetivo clínico deve ser a redução de gordura com a preservação da massa muscular, evitando dietas excessivamente restritivas e a falta de nutrientes decorrente da perda brusca de apetite.

Por fim, a OMS e os especialistas ressaltam que o combate à obesidade exige suporte familiar, atenção à saúde mental e políticas públicas multissetoriais. A diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, Luz María De Regil, enfatiza que a prioridade é garantir acesso a ambientes acolhedores, alimentação saudável e espaços públicos adequados desde a infância.

Fontes consultadas

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