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Brasil

Pastor e psicólogo vira réu em Rondônia após denúncias de crimes sexuais

Pelo menos 12 mulheres denunciaram o religioso Aluízio Vidal Flor ao Ministério Público por abusos cometidos ao longo de anos.

Por 3 min de leitura

Pastor e psicólogo vira réu em Rondônia após denúncias de crimes sexuais
Pastor e psicólogo vira réu em Rondônia após denúncias de crimes sexuais

O pastor e psicólogo Aluízio Vidal Flor, de 58 anos, tornou-se réu por crimes sexuais em Porto Velho, capital de Rondônia, após acumular acusações de ao menos 12 mulheres junto ao Ministério Público do Estado (MP-RO). Ele responde judicialmente por estupro e violação sexual mediante fraude, modalidade em que o agressor utiliza subterfúgios para impedir o consentimento real da vítima.

A Justiça aceitou a denúncia contra o religioso no dia 1º de outubro. Os episódios sob investigação judicial compreendem atos cometidos entre 2012 e 2025 contra quatro das denunciantes. No entanto, o inquérito inicial da Polícia Civil reuniu relatos de oito vítimas, enquanto uma segunda investigação apura os depoimentos das demais mulheres que procuraram as autoridades.

Aluízio Vidal está preso preventivamente desde 14 de setembro, por determinação da juíza Keila Alessandra Roeder Rocha de Almeida, que apontou a necessidade de garantir a ordem pública e assegurar o andamento do processo. Pedidos da defesa para que ele respondesse às acusações em liberdade foram indeferidos pela magistrada.

De acordo com as investigações e os relatos reunidos pelo Ministério Público, o pastor utilizava sua dupla autoridade como líder religioso e terapeuta para se aproximar de mulheres em momentos de vulnerabilidade emocional, como períodos de luto ou crises conjugais. Os abusos ocorriam tanto em seu consultório quanto nos bastidores da Igreja Presbiteriana Gileade, onde ele atuava como pregador.

O histórico de acusações abrange um período superior a trinta anos. Registros de 1994 contra o pastor foram considerados prescritos pela Justiça, mas acabaram aceitos no processo para demonstrar um padrão de conduta reiterado ao longo do tempo. O caso veio à tona após denúncias formais iniciadas por frequentadoras da comunidade religiosa.

A primeira vítima a relatar o caso ao Ministério Público foi Miriam Rios, que frequentava a igreja e realizava terapia de casal com o pastor ao lado do marido. Segundo seu depoimento, o abuso ocorreu durante uma sessão individual na qual o religioso propôs um exercício de conexão emocional para forçar contato físico. Após levar a queixa à liderança eclesiástica, Miriam relatou ter enfrentado forte resistência, isolamento e ataques de fiéis.

Outra mulher, Heidy Noronha Moreira Herrera, também buscou as autoridades e o Ministério Público para relatar assédios e abusos sofridos desde os 20 anos, com episódios que remontam a 2009. Na época, uma denúncia interna apresentada ao conselho da igreja foi arquivada sem punições ao pastor, sob a alegação de falta de testemunhas. Novas tentativas de cobrança e apuração interna recentes também não obtiveram respostas satisfatórias da instituição religiosa.

O Órgão Ministerial encaminhou todas as vítimas para acolhimento no Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) em Porto Velho. O processo criminal segue em tramitação na Justiça estadual para apurar a extensão das responsabilidades penais do réu.

Fontes consultadas

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