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Economia

Paulo Guedes é investigado pela Polícia Federal por suspeita de crimes financeiros

Ex-ministro da Economia é alvo de inquérito sigiloso que apura a atuação da empresa OnilX no mercado de criptoativos.

Por 3 min de leitura

Paulo Guedes é investigado pela Polícia Federal por suspeita de crimes financeiros
Paulo Guedes é investigado pela Polícia Federal por suspeita de crimes financeiros

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da empresa OnilX, são alvos de uma investigação da Polícia Federal por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi aberto em fevereiro deste ano e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, com o acompanhamento do Ministério Público Federal.

De acordo com as investigações, a OnilX atuava no mercado de criptoativos e atraía clientes com promessas de rendimentos de até 2,8% ao mês. Atualmente, dezenas de investidores relatam dificuldades e alegam calotes ao tentar resgatar os valores aplicados em produtos associados a criptomoedas e stablecoins, levantando inclusive suspeitas de esquema de pirâmide financeira.

A relação entre Paulo Guedes e a companhia vai além de uma consultoria econômica tradicional. O ex-ministro prestou serviços à empresa, participou de reuniões estratégicas, conversou com potenciais investidores e teve sua imagem associada a materiais de divulgação da plataforma de criptoativos.

Em um dos episódios relatados no processo, Guedes palestrou para uma plateia de cerca de 500 pessoas, ocasião em que elogiou a companhia e afirmou que ela teria um papel central no avanço do mundo digital. Em outra publicação da própria empresa, ele apareceu ao lado de executivos e do proprietário em um encontro classificado como de alta relevância estratégica.

A participação do ex-integrante do governo também foi utilizada por representantes da empresa em negociações com clientes. Um casal que cobra judicialmente a quantia de R$ 876,5 mil relatou à Justiça que decidiu manter e ampliar os aportes financeiros após participar de uma reunião com Guedes na sede da companhia. Em outro caso, mensagens anexadas a processos mostram uma assessora utilizando a presença do ex-ministro para atrair novos clientes de grande porte.

A OnilX enfrenta ainda questionamentos regulatórios. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo, decisão mantida posteriormente com ressalvas quanto à negociação simples de criptoativos sem promessa de rendimento. Um levantamento identificou mais de 100 ações judiciais contra a empresa entre os meses de junho e setembro.

Enquanto a investigação policial segue em andamento com novas diligências e intimações registradas nos últimos meses, a defesa e a empresa sustentam que as atividades ocorrem dentro da legalidade. Representantes da OnilX afirmam que a atuação de Guedes restringiu-se a consultorias sobre macroeconomia e conjuntura internacional, e que ele prestou esclarecimentos às autoridades na condição de testemunha, e não de investigado.

Fontes consultadas

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