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Brasil

Pedreiro viaja 2 mil km para encontrar namorada virtual criada por inteligência artificial

Homem vendeu todos os bens para ir a Belo Horizonte, mas descobriu que a pretendente conhecida como Jéssica Fazendeira era uma personagem gerada por computador.

Por 3 min de leitura

Pedreiro viaja 2 mil km para encontrar namorada virtual criada por inteligência artificial
Pedreiro viaja 2 mil km para encontrar namorada virtual criada por inteligência artificial

O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, percorreu mais de dois mil quilômetros entre Imperatriz, no Maranhão, e Belo Horizonte, em Minas Gerais, com o objetivo de encontrar uma mulher com quem mantinha contato pela internet desde 2020. Ao chegar à capital mineira, no entanto, ele descobriu que a suposta pretendente, identificada como Jéssica Oliveira e amplamente conhecida nas redes sociais como "Jéssica Fazendeira", não era uma pessoa real, mas sim uma personagem gerada por inteligência artificial.

A história ganhou grande repercussão após o trabalhador decidir vender todos os seus bens para custear a viagem de ônibus até Minas Gerais. Edimar relatou que estava apaixonado e acreditava estar construindo uma relação sólida, já que a personagem publicava vídeos realistas nos quais se apresentava como uma mulher divorciada, dona de uma fazenda e interessada em encontrar um companheiro para dividir a vida. O perfil virtual em questão acumula mais de 300 mil seguidores e também é utilizado para divulgar anúncios de uma plataforma de comércio eletrônico.

Segundo o relato do pedreiro, que atualmente está afastado pelo INSS, os indícios de golpe eram sutis e ajudaram a dissipar qualquer desconfiança. Ele afirmou que a conta nunca lhe pediu dinheiro e que, pelo contrário, o perfil chegou a oferecer ajuda financeira para viabilizar o encontro, prometendo cobrir os custos de transporte e fornecer endereços.

Apesar das promessas de apoio, Edimar embarcou rumo a Belo Horizonte sem possuir um endereço exato da suposta amada. Ao desembarcar na capital mineira, passou a circular pelas ruas exibindo fotos da mulher e perguntando aos transeuntes se alguém a conhecia, sem sucesso. Desorientado e sem recursos para retornar para casa, ele procurou uma rádio local em busca de ajuda, momento em que foi informado pelos profissionais da emissora de que se tratava de uma montagem tecnológica e que a mulher em questão nunca existiu.

Diante da situação de vulnerabilidade, o caso chegou ao conhecimento da Prefeitura de Belo Horizonte. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que o trabalhador foi encaminhado à Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante, onde recebeu alimentação, local para banho, além de orientações específicas sobre os riscos de golpes aplicados por meio de redes sociais.

Após o atendimento técnico prestado pela administração municipal, a prefeitura viabilizou o retorno do pedreiro. Ele recebeu uma passagem com destino à região norte do Tocantins e atualmente encontra-se hospedado na casa de parentes em Imperatriz, no Maranhão.

Mesmo após perder seus bens e vivenciar a frustração do engano, Edimar afirmou que não se arrepende da viagem realizada e declarou que pretende retornar a Minas Gerais no futuro para tentar encontrar uma nova companheira de verdade. O episódio acende um alerta sobre os perigos associados a relacionamentos virtuais com perfis falsos construídos com tecnologias avançadas de manipulação de imagem e vídeo.

Fontes consultadas

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