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Ciência

Pesquisadores descobrem nova espécie de perereca-de-vidro em Goiás

O anfíbio recém-identificado mede até 2,6 centímetros e marca o primeiro registro do gênero Vitreorana na região central do Cerrado.

Por 2 min de leitura

Pesquisadores descobrem nova espécie de perereca-de-vidro em Goiás
Pesquisadores descobrem nova espécie de perereca-de-vidro em Goiás

Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de perereca-de-vidro em matas próximas a riachos no município de Luziânia, em Goiás. Batizada de Vitreorana micaelae, a pequena espécie mede entre 2,2 e 2,6 centímetros de comprimento e representa o primeiro registro do gênero Vitreorana na região central do Cerrado brasileiro.

A descoberta foi descrita detalhadamente em um estudo publicado em setembro na revista científica ZooKeys. O trabalho científico reúne especialistas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, da Universidade Federal de Goiás e da Universidade de Brasília, contando com o apoio de importantes instituições de fomento à pesquisa científica no país.

O anfíbio recém-descoberto chama a atenção por sua pele fina e translúcida, que permite a observação de parte de seus órgãos internos, além de ostentar uma coloração esverdeada marcante. Os exemplares foram encontrados em matas de galeria, que são formações florestais fundamentais para acompanhar os cursos d’água e atuar como verdadeiros corredores de biodiversidade em meio à vegetação nativa do bioma.

De acordo com Reuber Brandão, professor da Universidade de Brasília e um dos autores do estudo, a presença do gênero no Cerrado diferencia esta descoberta de outros registros semelhantes, que costumam se concentrar principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica. O pesquisador destaca que evidências morfológicas, bioacústicas e moleculares confirmam o reconhecimento das populações como uma espécie distinta e com grande distância genética de seus parentes mais próximos.

Até o momento, a distribuição da Vitreorana micaelae é conhecida em apenas dois locais restritos no município goiano, ambos associados de forma estreita a riachos e matas ciliares. Essa limitação geográfica acentua a vulnerabilidade do animal frente a futuras alterações ambientais provocadas pela ação humana ou por desequilíbrios ecológicos.

Entre as principais ameaças apontadas pelo grupo de pesquisadores estão a construção de barragens e hidrelétricas, a perda contínua de hábitats naturais e as atividades de mineração na região. Além disso, as mudanças climáticas globais podem comprometer severamente o regime hídrico dos riachos locais e elevar o risco de incêndios destrutivos em áreas florestais úmidas.

Diante do cenário de vulnerabilidade e da escassez de dados precisos sobre o tamanho total da população, os autores sugerem que o anfíbio seja classificado com dados insuficientes pela União Internacional para a Conservação da Natureza. O nome científico da nova perereca homenageia a bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, prestando reconhecimento ao apoio prestado às investigações sobre a biodiversidade neotropical.

Fontes consultadas

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