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Política

Porteiro é detido após panelaço contra Flávio Bolsonaro em Maceió

Trabalhador foi conduzido à delegacia após protesto político na capital alagoana, gerando repercussão e questionamentos de órgãos institucionais.

Por 3 min de leitura

Porteiro é detido após panelaço contra Flávio Bolsonaro em Maceió
Porteiro é detido após panelaço contra Flávio Bolsonaro em Maceió

Um porteiro que trabalhava em um condomínio no bairro da Ponta Verde, em Maceió, foi detido pela Polícia Militar de Alagoas na noite da última sexta-feira (16) após participar de um panelaço. O protesto ocorria enquanto o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participava de uma entrevista televisiva, no contexto da reta final das eleições presidenciais de 2026.

Segundo relatos de moradores e testemunhas, o trabalhador, identificado como Edmilson Santos, juntou-se a manifestantes que batiam panelas na área interna do edifício. O ato coincidiu com a passagem de um motorista que, conforme as denúncias, teria reagido com ofensas, gestos obscenos e ameaças aos presentes, além de acionar as autoridades policiais.

A intervenção da Polícia Militar resultou na condução exclusiva de Edmilson à Central de Flagrantes, acompanhado da panela utilizada no ato, que chegou a ser apreendida e ficou amassada. Enquanto a defesa do trabalhador e moradores apontaram abusos e questionaram o motivo de o motorista que realizou as ameaças não ter sido levado, a Secretaria de Segurança Pública informou que a guarnição atendeu a um chamado de perturbação do sossego.

Inicialmente, a defesa relatou que os policiais teriam alegado demora do porteiro em abrir o portão do prédio, o que levou à acusação de suposto desacato. Na delegacia, no entanto, o caso foi registrado por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) relacionado à perturbação do sossego alheio. Após prestar esclarecimentos, o funcionário foi liberado ainda durante a madrugada e retornou às suas atividades.

O episódio gerou forte repercussão e mobilizou diversas entidades jurídicas e de direitos humanos. A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), e sua Comissão de Defesa dos Direitos Humanos oficiaram a Delegacia Geral e o Ministério Público estadual para exigir uma investigação rigorosa sobre a legalidade da abordagem e a conduta dos agentes envolvidos.

Além disso, a Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Alagoas abriu procedimento para apurar a atuação da equipe policial na ocorrência. O Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público Federal também solicitaram informações oficiais aos órgãos de segurança para avaliar possíveis violações à liberdade de expressão e de manifestação pacífica.

No domingo seguinte ao ocorrido, Edmilson participou de um ato público em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Maceió. Na ocasião, o trabalhador voltou a questionar os motivos de sua detenção e reafirmou sua posição política, recebendo manifestações de solidariedade de colegas de profissão e de defensores dos direitos fundamentais.

Fontes consultadas

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