Poupança e investimentos estaduais registram alta em diferentes regiões
Enquanto Cabo Verde observa retomada no volume de reservas financeiras, o mercado de produtos estaduais e discussões jurídicas movimentam o setor.
As reservas financeiras das famílias e os produtos de aplicação ligados ao Estado têm apresentado movimentações expressivas em diferentes frentes geográficas e institucionais. Em Cabo Verde, o volume total de poupança atingiu a marca de 70,9 mil milhões de escudos, consolidando uma trajetória de crescimento que vem se desenhando desde o período pandêmico, conforme dados divulgados pelo Banco de Cabo Verde.
Segundo José Júlio Dias, coordenador do Grupo de Coordenação da Semana da Poupança, o comportamento financeiro da população reflete uma busca maior por segurança. De acordo com o especialista, o crescimento contínuo registrado entre 2013 e 2019 sofreu apenas uma interrupção em 2022, devido ao pós-confinamento, mas retomou o ímpeto nos anos seguintes.
O responsável destacou ainda que as contas especializadas e os depósitos de cidadãos emigrantes exercem um papel fundamental na captação nacional. Para ele, a evolução na educação financeira tem permitido que os cidadãos tomem decisões mais conscientes e seguras na gestão de seus recursos pessoais.
No cenário europeu, os produtos de poupança do Estado também registraram marcas importantes. O volume conjunto de certificados do Tesouro e de aforro aumentou em setembro, com um acréscimo de 676,5 milhões de euros em relação ao mês anterior, alcançando um total de 51,7 mil milhões de euros, conforme estatísticas do Banco de Portugal.
O principal motor desse avanço foi a alta procura pelos certificados de aforro, impulsionados pela valorização das taxas de juro de referência. Com a taxa-base atrelada à Euribor a três meses atingindo o teto máximo de 2,5%, o estoque desses títulos subiu pelo segundo ano consecutivo e bateu recorde.
Em contrapartida, os certificados do Tesouro continuam em trajetória de queda, superados pelos resgates mesmo após o lançamento da nova série com prazos mais longos e taxas crescentes. Essa modalidade de dívida pública segue enfrentando saídas líquidas de capital.
Enquanto isso, no âmbito jurídico, o Supremo Tribunal Federal reconheceu repercussão geral para definir quais índices de correção monetária e juros de mora, que podem envolver parâmetros como os da caderneta de poupança, devem ser aplicados às dívidas da Fazenda Pública antes da expedição de precatórios ou RPVs. A decisão poderá impactar ações previdenciárias e o cálculo de valores devidos aos segurados.
Fontes consultadas
- Poupança dos cabo-verdianos fixa-se em 70,9 mil milhões de escudos e retoma tendência de crescimento – BCV expressodasilhas.cv
- STF vai definir correção de atrasados antes de precatórios previdenciarista.com
- Entraram mais 676 milhões de euros nos certificados em setembro jornaldenegocios.pt