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Economia

Preço dos alimentos volta a subir no Brasil e pressiona IPCA-15

A alta de setembro interrompe um período de dois meses consecutivos de alívio na alimentação no domicílio e desafia o orçamento das famílias.

Por 3 min de leitura

Preço dos alimentos volta a subir no Brasil e pressiona IPCA-15
Preço dos alimentos volta a subir no Brasil e pressiona IPCA-15

Os preços dos alimentos voltaram a subir no Brasil em setembro, interrompendo uma sequência de dois meses de quedas registradas em julho e agosto. A alta da alimentação no domicílio, que ficou em 0,38% segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pressiona o custo de vida da população às vésperas do primeiro turno das eleições.

O grupo de alimentação e bebidas como um todo avançou 0,40% no mês, impulsionado principalmente por produtos tradicionais da mesa dos brasileiros, a exemplo do tomate, que disparou 20,76%. Além dele, o arroz registrou alta de 2,39% e as carnes subiram 1,30%, segundo o levantamento do IBGE.

Especialistas apontam que fatores climáticos e sazonais explicam parte dessa pressão de custos. André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, destaca que o clima frio em algumas regiões retardou a maturação do tomate, reduzindo a oferta inicial no atacado e repassando o encarecimento para o varejo. No caso do arroz, o aumento das chuvas na região Sul do país prejudicou a safra, enquanto o mercado de carnes lida com uma menor disponibilidade de animais prontos para abate no ciclo atual da pecuária.

Apesar da aceleração recente, analistas avaliam se o movimento representa uma tendência de longo prazo. Para o FGV Ibre, itens como o tomate podem apresentar acomodação nos preços conforme a oferta se normalize com a chegada de temperaturas mais quentes. No entanto, o cenário para o final do ano permanece cercado de cautela devido aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

Na contramão das altas, alguns produtos registraram recuos expressivos em setembro, oferecendo algum alívio pontual aos consumidores. O IBGE destacou as quedas nos preços do feijão-carioca, que barateou 6,33%, da cebola, com baixa de 4,41%, e do café moído, que recuou 1,36% no período.

Enquanto isso, a alimentação fora de casa manteve a trajetória de alta, com os preços em bares e restaurantes subindo 0,44% em setembro, logo após o avanço de 0,42% observado no mês anterior. A pressão inflacionária geral também encontrou reflexo em outras despesas essenciais, como a energia elétrica residencial, que subiu 7,42% após o encerramento de créditos extraordinários nas faturas.

No cenário econômico e político, a carestia dos alimentos tem sido utilizada por opositores para desgastar a gestão atual, enquanto o governo busca contrapor as críticas destacando indicadores positivos no mercado de trabalho e reajustes salariais. O IPCA-15 serve como uma prévia importante para balizar a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, cujos dados consolidados de setembro serão publicados pelo IBGE em outubro.

Fontes consultadas

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