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Economia

Prévia da inflação desacelera para 0,32% em outubro, mas estoura teto da meta

Apesar da alta mensal menor que o esperado, o índice acumulado em 12 meses voltou a superar o limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.

Por 3 min de leitura

Prévia da inflação desacelera para 0,32% em outubro, mas estoura teto da meta
Prévia da inflação desacelera para 0,32% em outubro, mas estoura teto da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,32% em outubro, conforme dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro e representou uma desaceleração em relação à variação de 0,70% observada em setembro. No entanto, o acumulado nos últimos 12 meses avançou para 4,62%, voltando a superar o teto da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O principal motor de pressão sobre o índice no mês veio do grupo de Alimentação e Bebidas, que subiu 0,88% e respondeu pelo maior impacto isolado. A alimentação dentro de casa apresentou alta expressiva de 1,01%, impulsionada por problemas climáticos que afetaram safras e elevaram o custo de produtos in natura. Entre os itens que mais encareceram na prévia estão o tomate, com alta de 24,54%, a cebola, com 13,63%, a batata-inglesa, que subiu 10,96%, e o arroz, com avanço de 5,80%. A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara, passando de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro.

Na contramão da alta dos alimentos, o alívio no índice geral veio de componentes de alta volatilidade, como a energia elétrica e as passagens aéreas. As tarifas residenciais de energia recuaram 0,89%, revertendo a alta expressiva do mês anterior após a mudança da bandeira tarifária de amarela para verde. Já as passagens aéreas registraram queda de 9,24%, o que ajudou a conter uma aceleração mais intensa do indicador no período.

Apesar do recuo mensal na taxa geral, analistas econômicos apontam uma deterioração qualitativa da inflação. O índice de difusão, que mede o espalhamento dos aumentos de preços entre diferentes setores da economia, subiu de 53,7% para 58,86% em outubro. Além disso, o setor de serviços e os preços essenciais à rotina do consumidor continuam operando sob forte pressão, impulsionados pela resiliência da demanda doméstica e por um mercado de trabalho apertado.

O cenário inflacionário desafiador também passa pelos combustíveis, que aceleraram de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro, influenciados pelas altas do óleo diesel, do etanol e da gasolina. Em contrapartida, o grupo de habitação como um todo registrou variação negativa de 0,10%, ajudado pelo comportamento da energia elétrica.

Diante do resultado e do indicador anual acima do teto da meta, economistas avaliam os próximos passos da política monetária. A expectativa predominante no mercado aponta para a manutenção de cautela pelo Banco Central, embora parte dos analistas ainda projete novos cortes moderados na taxa básica de juros, a Selic, nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária.

A coleta de preços do IPCA-15 abrangeu o período entre 16 de setembro e 14 de outubro em onze áreas urbanas do país, refletindo o consumo de famílias com rendimentos de um a quarenta salários mínimos.

Fontes consultadas

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