Prefeito de São Paulo nega falta de ônibus durante votação
Enquanto Ricardo Nunes afirma que a frota foi superior à demanda, passageiros relatam longas esperas e pontos lotados na capital paulista.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou neste domingo que a quantidade de ônibus disponibilizada na capital durante o segundo turno das eleições foi superior à demanda de passageiros. A declaração ocorre em meio a relatos de longas esperas e pontos lotados em diferentes regiões da cidade, além de impasses judiciais sobre a operação do transporte público.
A polêmica ganhou repercussão após a Justiça Eleitoral determinar, no sábado, que a prefeitura e a SPTrans colocassem 100% da frota regular de dias úteis em circulação. A determinação previa multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento. O Partido dos Trabalhadores chegou a denunciar que a cidade estaria operando com apenas 60% da frota durante o pleito.
Nunes defendeu a gestão municipal e garantiu que o serviço atendeu adequadamente à população. 'Não houve, em nenhum lugar da cidade, falta de ônibus. Tivemos uma quantidade superior à demanda necessária. Não tínhamos pontos lotados, os terminais estavam vazios', declarou o prefeito a jornalistas ao acompanhar a apuração dos votos.
Segundo a administração municipal, a SPTrans foi notificada pela Justiça às 13h10 de sábado e repassou o comunicado às empresas concessionárias às 13h32. Nunes argumentou que o prazo exíguo impôs dificuldades operacionais para a mobilização de mais de 10 mil profissionais e a reorganização das escalas, mas sustentou que a prefeitura reuniu registros fotográficos e em vídeo para comprovar a normalidade do serviço em várias zonas da cidade.
Por outro lado, moradores relataram situações bem diferentes em pontos estratégicos da capital. No Terminal Varginha, no extremo sul, passageiros disseram ter esperado até três horas por um veículo. Filas e transtornos também foram registrados em Santana, na Zona Norte, e no Jardim Ângela, na Zona Sul, onde algumas pessoas relataram dificuldades para se deslocar até os locais de votação.
Durante o pleito, a Federação Brasil da Esperança chegou a pedir a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, por suposto descumprimento da ordem judicial. Contudo, o pedido foi negado pelo juiz eleitoral Tiago Ducatti Lino Machado, com o respaldo do Ministério Público Eleitoral, por entender que não havia elementos suficientes para configurar flagrante delito.
O cenário de debate sobre o transporte público em São Paulo também foi impactado em âmbito nacional pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar o horário de votação em todo o país. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a medida e cobrou explicações claras sobre os fundamentos jurídicos da decisão, afirmando que a democracia exige transparência e segurança jurídica.
A tarifa dos ônibus municipais permanece gratuita aos domingos na capital paulista por meio do programa Domingão Tarifa Zero, em vigor desde o final de 2023. Enquanto a prefeitura reforça que programou uma oferta ampla de lugares para o eleitorado, os dados operacionais definitivos e o impacto do transporte na abstenção continuam sob análise.
Fontes consultadas
- Tarcísio cobra explicações para decisão de Zanin; Nunes nega falta de ônibus em São Paulo terra.com.br
- Prefeitura de São Paulo diz que programou 8 milhões de lugares nos ônibus em cada turno das eleições diariodotransporte.com.br
- Nunes diz que oferta de ônibus em SP foi 'muito superior' à demanda no dia da eleição; passageiros relatam longas esperas | G1 g1.globo.com