Protesto de estudantes contra Milei termina em confronto na Argentina
Manifestantes e policiais se enfrentaram em frente ao Congresso Nacional nesta quinta-feira durante ato em defesa do financiamento universitário.
Uma manifestação de estudantes, professores e cidadãos em protesto contra as políticas de austeridade do presidente da Argentina, Javier Milei, terminou em confrontos com a polícia nesta quinta-feira (15), em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires. O ato, que reuniu uma multidão com bandeiras e faixas em defesa da educação pública, exigia o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso, mas que tem sido ignorada pelo Executivo apesar de decisões judiciais contrárias.
Antes do encerramento do ato principal, incidentes irromperam quando um grupo minoritário de manifestantes atirou pedras e pedaços de mobiliário urbano contra os policiais, além de tentar derrubar as grades de proteção. As forças de segurança responderam com o uso de um caminhão hidrante, gás lacrimogêneo e disparos de jato d'água para dispersar os presentes. A situação gerou momentos de grande tensão e fumaça no entorno da praça.
De acordo com informações de fontes do Ministério da Segurança Nacional divulgadas pela imprensa, o saldo dos confrontos incluiu 25 pessoas detidas e oito agentes de segurança feridos. A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, criticou os atos de violência nas redes sociais, afirmando que os manifestantes buscavam impor o caos e desafiar as forças de segurança. A mobilização também se repetiu em outras cidades importantes do país, como Rosário e Córdoba.
A marcha central, batizada de Marcha Federal Universitária, contou com a participação de reitores, funcionários, partidos de oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados. Os manifestantes protestavam contra a queda real nos recursos destinados às universidades, que apontam uma redução de 40,5% no orçamento do setor no primeiro semestre em comparação com 2023, segundo dados do Centro de Pesquisa de Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires. Professores e entidades do setor relatam perdas salariais expressivas e um elevado número de pedidos de demissão desde o início da gestão de direita radical.
A Lei de Financiamento Universitário em questão prevê a reposição das perdas salariais dos docentes pela inflação acumulada desde dezembro de 2023, além da recomposição de bolsas estudantis e verbas operacionais. O governo de Javier Milei, por sua vez, sustenta que a aplicação da norma está suspensa enquanto recorre à Justiça e argumenta que o texto legal não especifica a origem dos recursos para custear tais despesas. O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, negou que haja descumprimento legal por parte do Executivo.
O descontentamento com a gestão atual reflete-se em indicadores econômicos e sociais recentes, que apontam retração na atividade e aumento da pobreza. Pesquisas de opinião recentes mostram que a administração de Milei enfrenta taxas elevadas de desaprovação popular. Esta foi a quinta passeata universitária nacional realizada desde a posse do atual presidente, evidenciando o impasse prolongado entre a comunidade acadêmica e o governo federal em torno do ajuste fiscal.
Fontes consultadas
- Manifestação de estudantes contra Milei termina em confronto na Argentina noticias.r7.com
- Em novo teste para Milei, insatisfação econômica explode em protestos de rua veja.abril.com.br
- Manifestação de universitários termina em confronto com a polícia na Argentina | GZH gauchazh.clicrbs.com.br
- Confronto entre polícia e universitários marca protesto contra governo Milei em Buenos Aires romanews.com.br
- Professores e estudantes protestam contra cortes nas universidades públicas da Argentina oglobo.globo.com