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Economia

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões

Maior rede varejista de brinquedos do Brasil busca reestruturar suas finanças na Justiça após forte pressão de juros e concorrência externa.

Por 2 min de leitura

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões
Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões

A Ri Happy, principal rede varejista de brinquedos do país, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo com o objetivo de renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A solicitação, apresentada pelo grupo empresarial, ocorre 48 dias após a BluSun Capital Partners assumir o controle da companhia, em um processo que também marcou o retorno de Héctor Núñez à gestão dos negócios.

O pedido de reestruturação engloba seis empresas associadas, incluindo as marcas Ri Happy e PBKids, além de operações voltadas à importação, distribuição e recreação infantil. Juntas, as unidades somam 292 lojas entre próprias e franqueadas, contam com mais de 2.600 funcionários e registram uma receita líquida média anual de R$ 1,2 bilhão.

Nos documentos enviados ao Tribunal de Justiça, a administração da varejista apontou que os problemas financeiros foram agravados por uma combinação de fatores econômicos e estruturais. Entre os principais motivos citados estão os reflexos prolongados da pandemia, o patamar elevado das taxas de juros, a retração nas vendas e mudanças no comportamento de consumo das famílias.

A empresa destacou que já havia tentado aliviar o passivo em agosto de 2023, quando renegociou cerca de R$ 292 milhões em dívidas com instituições bancárias. No entanto, com a inflação e a alta contínua da taxa Selic, o custo anual para honrar os compromissos financeiros disparou para aproximadamente R$ 70 milhões, tornando o fluxo de caixa incompatível com as operações.

Além do endividamento interno, o grupo enfrentou forte concorrência de plataformas de comércio eletrônico internacionais, como Shopee e AliExpress. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos indicam que produtos importados, em sua maioria da China, representaram 75,8% dos brinquedos comercializados no Brasil em 2025, o que pressionou os preços e reduziu as margens de lucro da varejista.

Até o momento do protocolo judicial, a Ri Happy já obteve a adesão de credores detentores de R$ 308,8 milhões em créditos, o equivalente a 42,38% das dívidas sujeitas à votação. O patamar é superior ao mínimo exigido pela legislação para dar início ao processo.

Pelas regras vigentes, a companhia tem agora um prazo de 90 dias para angariar o apoio de credores que representem mais da metade do valor total elegível, buscando a homologação definitiva do plano. A administração garantiu que tanto as lojas físicas quanto os canais digitais continuam operando normalmente enquanto o processo avança.

Fontes consultadas

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