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Economia

Stellantis enfrenta tensões no Canadá e aposta em carros acessíveis

Enquanto trabalhadores canadenses votam sobre greve, montadora busca reverter perdas com foco em veículos populares e mudanças regulatórias nos EUA.

Por 3 min de leitura

Stellantis enfrenta tensões no Canadá e aposta em carros acessíveis
Stellantis enfrenta tensões no Canadá e aposta em carros acessíveis

A montadora Stellantis enfrenta um cenário de alta tensão com os sindicatos no Canadá, ao mesmo tempo em que desenha uma nova estratégia voltada para o mercado norte-americano com foco em veículos mais acessíveis. O sindicato Unifor anunciou que mais de 9 mil trabalhadores do grupo no território canadense votam pela autorização de uma greve após o impasse nas negociações do contrato coletivo.

A votação no Canadá ocorre nos dias 17 e 18 de outubro, com resultados divulgados em seguida. Embora a aprovação não resulte em paralisação automática, o processo confere ao comitê o mandato para convocar a abstenção caso o diálogo permaneça travado. O principal ponto de conflito é o futuro da fábrica de Brampton, em Ontário, onde a montadora firmou um acordo preliminar para possível venda, enquanto o sindicato exige a manutenção da produção automotiva no local.

Além da questão de Brampton, a insatisfação sindical envolve a segurança no emprego e as futuras alocações de produção em outras unidades, como a planta de Windsor e a fundição de Etobicoke. Na unidade de Windsor, que emprega cerca de 6 mil pessoas, a empresa já programou novas semanas de paralisação devido à demanda e ao impacto de tarifas comerciais.

Em paralelo ao desgaste no Canadá, a Stellantis aposta na reestruturação de suas operações na América do Norte para impulsionar suas vendas. O CEO Antonio Filosa destacou recentemente que a montadora planeja lançar nove novos veículos com preços abaixo de 40 mil dólares nos próximos anos, visando preencher uma lacuna em um mercado onde o preço médio dos automóveis permanece elevado.

A mudança na estratégia de portfólio nos Estados Unidos também é impulsionada por alterações regulatórias federais. O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou que a administração federal flexibilizou os padrões de economia de combustíveis corporativos médios, o que deve permitir à Stellantis ampliar sua oferta de veículos mais baratos para atender aos consumidores.

No cenário europeu, a produção da Stellantis na Itália demonstra sinais de recuperação. Relatórios sindicais apontam que a fabricante deve montar cerca de 450 mil veículos no país, revertendo uma tendência de queda de dois anos, impulsionada por novos modelos e pelo desempenho de linhas tradicionais, embora gargalos na cadeia de suprimentos ainda afetem metas específicas de produção.

Com planos corporativos globais de longo prazo e metas financeiras ambiciosas até o final da década, a montadora busca equilibrar cortes de custos, melhorias rigorosas na qualidade dos produtos e a expansão de tecnologias como os sistemas elétricos de autonomia estendida para assegurar sua competitividade no mercado automotivo internacional.

Fontes consultadas

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