Supermercado na Bahia é acionado pelo MPT por suposto assédio eleitoral
Órgão pediu à Justiça a suspensão imediata do uso de uniformes com numeração coincidente com número de candidato.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação cautelar nesta sexta-feira exigindo que a Justiça do Trabalho conceda uma liminar para suspender o uso de uniformes com o número 22 por funcionários de uma rede de supermercados em Salvador. A medida ocorre em meio às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais e visa coibir práticas que possam influenciar ou constranger os trabalhadores em suas convicções políticas.
A iniciativa do MPT teve início após artistas denunciarem publicamente a situação por meio de redes sociais. O registro em vídeo exibia empregados da RMIX Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda., conhecida como Rede Mix, utilizando camisas promocionais em alusão aos 22 anos da instituição. No entanto, a coincidência da estampa com o número de urna de um candidato gerou questionamentos e alertas sobre a possibilidade de constrangimento no ambiente corporativo.
Segundo a procuradora responsável pelo caso, Manuella Gedeon, o procedimento foi instaurado após o recebimento de diversas denúncias e fotografias que comprovariam a obrigatoriedade do uso das vestimentas perante clientes e colegas de trabalho. Diante do quadro, o órgão expediu anteriormente uma recomendação extrajudicial para que a empresa interrompesse a prática, mas fiscalizações constataram o descumprimento da medida.
Na ação, o órgão ministerial argumenta que a conduta viola direitos fundamentais garantidos pela Constituição, como a liberdade de consciência, a livre convicção política e o exercício desimpedido do voto. É destacada também a proibição de qualquer tipo de propaganda ou pressão de natureza político-partidária em ambientes laborais, conforme as normativas da legislação eleitoral.
Entre as solicitações apresentadas à Justiça, o MPT requer que a empresa substitua imediatamente as camisas por vestimentas neutras até o encerramento do pleito e emita um comunicado interno garantindo a liberdade de orientação política de seus colaboradores. O pedido inclui ainda a fixação de multa diária em caso de desobediência e a garantia de tempo hábil para que os funcionários possam votar no domingo.
Paralelamente às investigações na capital baiana, a Auditoria-Fiscal do Trabalho no estado intensificou as fiscalizações para coibir o assédio eleitoral em diferentes empresas. Órgãos competentes reforçam que práticas como ameaças de demissão, promessas de vantagens em troca de votos ou a imposição de adereços e vestimentas de campanha são ilegais e passíveis de punição severa.
Fontes consultadas
- MPT processa rede de supermercado em Salvador por suposto caso de constrangimento eleitoral - Bahia Notícias bahianoticias.com.br
- 'Estavam com camiseta normal, não era de partido': testemunha afirma que PMs forjaram cena de suspeitos com roupas do PT; ouça áudio oglobo.globo.com
- Empresa de SC vira alvo do MPT por suspeita de assédio eleitoral | G1 g1.globo.com
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- Auditoria do Trabalho apura casos de assédio eleitoral em empresas da Bahia - Acorda Cidade - Portal de notícias de Feira de Santana acordacidade.com.br