Treino de força é essencial para o ganho de músculos
Especialistas explicam que suplementos de proteína como o whey protein têm papel complementar e não substituem a atividade física.
Com a crescente popularização de suplementos alimentares e de produtos enriquecidos com proteína, muitas pessoas passaram a acreditar que o consumo dessas substâncias seria a principal chave para a hipertrofia. No entanto, especialistas ouvidos recentemente apontam que a ciência demonstra exatamente o oposto, destacando que nenhum suplemento é capaz de substituir o papel fundamental desempenhado pelo treino de força.
Segundo Hamilton Roschel, fisiologista do exercício e professor da Universidade de São Paulo (USP), o verdadeiro gatilho para o remodelamento corporal e para o aumento da massa e da força muscular é a prática de atividades físicas. A proteína atua diretamente nas etapas de recuperação e construção dos tecidos, mas o seu efeito dentro de todo esse processo é estritamente complementar.
O pesquisador destaca que existe um descompasso considerável entre a alta expectativa gerada em torno do nutriente e os resultados práticos observados no dia a dia. Conforme o especialista resume, o exercício físico permanece como o estímulo principal e essencial da equação, enquanto o foco exclusivo na ingestão proteica não costuma trazer grandes alterações na composição corporal sem o devido esforço físico.
A bióloga e divulgadora científica Mari Krüger reforça essa visão ao relatar que a constância e a progressão de carga na academia superam a importância de se pensar em suplementos. Para ela, adicionar proteína à dieta sem o devido esforço em exercícios de força não surte o efeito desejado na musculatura de quem busca resultados duradouros.
Estudos apontam que o aumento do consumo de proteína atrelado a um programa de treinamento traz sim um ganho adicional, mas ele costuma ser bastante modesto para adultos jovens e saudáveis. A diferença estimada entre indivíduos que treinam consumindo mais proteína e aqueles que apenas mantêm o treinamento regular fica na faixa de apenas 400 a 500 gramas de massa magra.
Apesar disso, o uso de suplementos como o whey protein não é totalmente descartado e pode ser uma ferramenta útil em cenários específicos. Entre os públicos que podem se beneficiar estão atletas de alta performance, idosos que apresentam dificuldades para atingir as metas diárias de ingestão proteica ou indivíduos que se encontram em tratamentos voltados para o emagrecimento.
Ainda assim, os especialistas lembram que o suplemento está longe de ser obrigatório para a população em geral. Dados indicam que a maior parte dos brasileiros já consome quantidades de proteína que superam as recomendações mínimas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tornando a suplementação desnecessária para a maioria das pessoas.
Dessa forma, a recomendação central dos especialistas é priorizar uma alimentação equilibrada, que inclua cereais, leguminosas, frutas, verduras e diferentes fontes de proteína. A conclusão é unânime: a construção de músculos depende de vários fatores, mas o treino consistente e progressivo permanece como o único elemento verdadeiramente indispensável.