Usiminas reverte prejuízo e lucra R$ 243 milhões no terceiro trimestre
Apesar da melhora em relação ao ano passado, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, pressionado por custos elevados.
A Usiminas registrou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões contabilizado no mesmo período de 2025. O balanço financeiro foi divulgado nesta sexta-feira (30) e mostrou recuperação no resultado final, embora tenha ficado abaixo das estimativas de analistas do mercado, que projetavam valores superiores em meio à pressão de custos e à queda na receita.
O Ebitda ajustado consolidado da siderúrgica alcançou R$ 558 milhões entre julho e setembro, o que representa um avanço de 29% na comparação com o terceiro trimestre do ano anterior, mas uma retração de 27% frente ao segundo trimestre de 2026. Já a receita líquida totalizou R$ 6,2 bilhões, apresentando uma queda de 6% em base anual.
Na divisão de aço, a produção de aço bruto na planta de Ipatinga, em Minas Gerais, chegou a 858 mil toneladas, alta de 15% em relação ao terceiro trimestre de 2025. As vendas totais de aço no período encolheram 6%, somando 1,03 milhão de toneladas, impulsionadas pelos setores automotivo e de distribuição. Por outro lado, as exportações caíram 51%, com a Argentina respondendo por grande parte dos embarques externos.
O presidente da companhia, Marcelo Chara, afirmou que os números comprovam a capacidade de resiliência da empresa em um cenário adverso, marcado por volatilidade, tensões geopolíticas globais e pressão inflacionária provocada por insumos energéticos. A empresa também apontou que os custos dos produtos vendidos subiram devido aos preços mais altos de placas de aço, coque e energia, além dos reflexos da desvalorização do real frente ao dólar.
Enquanto a operação siderúrgica sofre com a pressão inflacionária de insumos, a divisão de mineração enfrentou dificuldades adicionais. O segmento registrou Ebitda de R$ 19 milhões, pressionado por uma queda nos preços realizados, aumento nas despesas logísticas com frete e uma redução de 18% nos volumes vendidos, que totalizaram 2,01 milhões de toneladas.
No cenário macroeconômico, a diretoria e entidades do setor alertaram para a entrada de aço estrangeiro no mercado brasileiro. Dados do Instituto Aço Brasil indicam que as importações diretas e indiretas devem atingir patamares elevados no acumulado de 2026, suprindo grande parte do consumo nacional e acentuando a concorrência com a produção local.
Para o quarto trimestre de 2026, a Usiminas prevê um ambiente ainda desafiador, com expectativa de estabilidade nos despachos de aço, onde o aumento das exportações deve compensar a sazonalidade negativa do mercado interno, além de uma redução planejada nas vendas de minério de ferro para conter custos e preservar reservas financeiras.
Fontes consultadas
- Usiminas (USIM5) lucra R$ 243 milhões no 3T26, mas ações caem melhorinvestimento.net
- Usiminas (USIM5) reverte prejuízo, mas ação desaba na bolsa valorinveste.globo.com
- Usiminas lucra R$ 243 milhões no terceiro trimestre cartadenoticias.com.br
- Produção de aço da Usiminas cresce 15% no 3º trimestre, para 858 mil toneladas valor.globo.com
- Usiminas lucra R$ 243 milhões no 3º trimestre, abaixo do esperado pelo mercado piranot.com.br